A polémica (previsível?) não se fez esperar e a Playboy Entertainment não foi em contemplações: vai rescindir contrato com a edição portuguesa.
Theresa Hennessy, vice-presidente do departamento de relações públicas da Playboy Entertainment, em declarações ao site Gawker, garantiu que a empresa não aprova a capa ou as imagens da sessão fotográfica: «Não teríamos aprovado a publicação, se a tivéssemos visto antecipadamente. Como resultado, vamos rescindir o contrato com Portugal».
(fonte e resto da notícia: Destak)
Era mais que previsível. De tão fraca fraca, adivinhava-se para breve o encerramento da Playboy versão portuguesa. Pelo anúncio das cólicas e contracções da barriga, este desfecho é assim uma espécie de caganeira anunciada e só poderia dar em merda.
É verdade que o anúncio até poderá dar uma volta, um dito por não dito, mas certamente que a posição dos responsáveis pela PBP nunca mais será a mesma.
A ostra estragada que desencadeou este última caganeira, foi uma suposta homenagem ao recente defunto Saramago, e ao seu livro Evangelho Segundo Jesus Cristo. O ensaio, para além de polémico, como se esperava, saíu fraco e ridículo, mesmo numa óptica meramente artística e foi pior o soneto do que a emenda.
Depois de uma série de edições a pender para o rasca, de fazer corar a Gina, uma playboy de caserna e adaptada às investidas seminais dos recrutas, essa sim eficaz na arte e engenho da punheta, os inteligentes da PBP entenderam que depois de trabalhos de amador no elixir da longa vida chamado Photoshop e abundância de silicone nas prateleiras, estava na altura de apimentar a coisa e para isso nada melhor que ir ao baú buscar a velha fórmula de mexer na religião, uma espécie de plano B, sobretudo brincando com os valores tão caros aos milhões de católicos.
De centenas de revistas desfolhadas, em edições prestigiadas como a Playboy americana a brasileira e outras, nunca se viu tão fraca qualidade nem essa mistura de alhos com bogalhos como nas escassas edições nacionais. A fórmula de sucesso da Playboy é pública e ao contrário de um molho de francesinha, são conhecidos desde há décadas os ingredientes e quantidades certas: Mulheres espectaculares, fotógrafos profissionais e nada de pingarelhos e acessórios desnecessários para além de uns colares ou uns piercings, mesmo que na vagina das girls. Misturar religião, mesmo que com um cristo com ar de palerma como quem está a conter uma ejaculação precoce debaixo da túnica alugada numa loja de adereços carnavalescos, faz tanto sentido na Playboy como um pintelho no meio do esparguete, ou um esparguete escorregadio na pintilheira à hora do minete. Se é esta a ideia de tesão e da arte do incentivo à punheta, os criativos da PBP se lhes dessem mais espaço, ainda nos iriam brindar com outras pérolas.
Mas vai sendo moda, brincar a cobro da tolerância que apesar de tudo se reconhece aos católicos. Seria bem mais interessante que os editores demonstrassem que para além de um pequeno cérebro tinham grandes tomates, brincando, por exemplo, não com as suas mãezinhas, mas com a figura de Maomé. O tanas...afinal quem tem cú tem medo .
Bem, estas coisas são mesmos previsíveis, tão previsíveis como a reacção ao caso de um conhecido e respeitado blogger como um inexperiente ratito que não resiste ao cheiro a chulé de um naco de queijo preso no arame da ratoeira. É tão fácil brincar com as palavras e os trocadilhos que nada melhor que um assunto destes para darmos largas à provocação aos valores que dizem muito a milhões de pessoas. É assim: De uns esperam-se reacções e de outros erecções, de uns ejaculações e de outros inoculações e não há quem resista ao seguidismo de um hipócrita amém quando a prosa da homilia vai no sentido de se achincalhar e foder os valores dos outros. É nestas alturas que fico fodido de não acertar assim tão à descarada no totoloto.
- Rui Santos Sá