…onde o melhor do mundo não passou de um vulgar jogador dos Distritais, mesmo sem ser pedreiro ou trolha.
A selecção de futebol luso-brasileira lá conseguiu os tão almejados 3 pontinhos que, depois do insucesso na Dinamarca, no Sábado passado, ainda lhe permitem sonhar esperançosamente na presença no Mundial de 2010, na África do Sul, dependendo, contudo, da prestação ou contributo de terceiros, ou seja, precisa dos ovos que estão no cú de outras galinhas.
Como tem sido característica nesta campanha de qualificação, Portugal voltou a afinar pela irregularidade, fazendo um jogo fraquinho, fraquinho, a lembrar um jogo de casados contra solteiros no campo pelado do bairro. É certo que a Hungria não fez melhor e, salvo nos minutos finais, nunca foi capaz de assustar a baliza à guarda do Eduardo. Seja como for, acabamos o jogo com os tremeliques e a defender de qualquer maneira. Quem assistiu ao jogo, como eu, deve ter compreendido o ridículo das palavras de Queiróz quando prognosticou que quem fosse sensível às emoções do jogo não deveria assitir ao mesmo. De facto, eu ía tendo um ataque de coração e de nervos não pelas tais emoções fortes, que se não viram mas sim pela aselhice dos portugueses, brasileiros e húngaros, e por um jogo de qualidade ao nível do que pior se vê nos Distritais, com a agravante dos que por aqui andam pedreiros, trolhas e jardineiros e não um lote dos melhores jogadores do mundo.
Para além de tudo, do jogo ficou-me uma triste imagem de Ronaldo, com o estatuto de melhor do mundo, mas feito minhoca, não conseguindo articular uma jogada ou fazer uma finta de jeito. Na melhor oportunidade do jogo, portou-se como um bébé a dar o doce ao Bobi. Fora isso, mostrou-se um miúdo afectado pelos assobios, vulgar, rezingão, sempre com cara de chateado pelo facto dos húngaros não lhe permitirem veleidades. Ele bem tentou ensaiar umas tesouradas mas a coisa não lhe saía. Apesar disso, apesar de um jogo no qual passou ao lado, o Queiróz não teve coragem nem lampejo de o tirar de jogo, como se costuma fazer aos nabos e aselhas. Entendeu ele que o 1-0, conseguido inesperadamente muito cedo, servia tão grandes aspirações pelo que preferiu mecher na equipa apenas quando a isso foi obrigado (lesão de Deco).
Quanto à tão debatida questão da entrada de início do brasileiro “levezinho” Liedson, penso que nem se deu pela sua passagem pelo jogo, amarrado nas torres centrais dos magiares. Pelo menos teve o condão de amainar a opinião de quem criticou o Queiróz pelo facto de o não fazer entrar de início no jogo com os nórdicos.
Outra coisa que não copmpreendo, o facto de Ronaldo ser o capitão. Qual é o critério? Ser o melhor do mundo? Ser o mais bem pago da selecção luso brasileira? Sempre pensei que o capitão tinha que ser um dos elementos mais velhos do grupo e que se destacassem pela sua responsabilidade, sentido de equipa, exemplo de diálogo e cordialidade. Ora Ronaldo é tudo menos isso. Ronaldo é capitão porque o seu estatuto do melhor do mundo, que em breve perderá, mete um medo do caraças a Queiróz e a Madaíl, com este a não ter vergonha de prometer, como incentivo extra, aumentar o prémio a quem já ganha milhões de sobra.
Estou certo que depois desta triste campanha, que não vai dar em nada (espero que me engane) Queiróz (como fez na derradeira derrota para o Mundial de 94) vai ter novamente que invocar a necessidade de limpeza da porcaria da Federação, mas com a diferença de que desta vez, para além das cagadas do Madaíl vai ter que limpar as suas próprias cagadas e lavar-se de um discurso sempre baseado na certeza de que iría estar no Mundial de 2010. Sempre pode ir-se embora com uma boa indemnização antes da entrada em vigor da tributação dos 42% de IRS que o Governo quer cobrar.
Oxalá que a selecção Luso Brasileira consiga o milagre, mas parece-me que não. A acontecer, verdade se diga, terá sido Carlos Queiróz o único a fazer ver que acreditava.