Mostrar mensagens com a etiqueta Documentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Documentos. Mostrar todas as mensagens

Plano de Acessibilidades – Memória Descritiva

 

Na senda do que já fizemos relativamente a uma memória descritiva para um projecto de arquitectura, deixamos hoje uma versão típica para uma Memória Descritiva para um Plano de Acessibilidades. NO caso trata-de de uma moradia de Cave (onde se localiza a garagem) e Rés-do-Chão onde se localiza a zona de habitação, contendo um banho acessível bem como a cozinha e um dos quartos.

Julgamos que pode ser uma boa orientação para quem dela tem necessidade.

 

Plano de Acessibilidades – Memória Descritiva

Identificação do requerente / Localização da obra:

Nome: Carlos Andrade Pereira Gião Silveira

Morada: Rua dos Becos – Sertanelha – Capaçães

Local da Obra: Rua das Almôndegas - Capaçães

 

Introdução:

A presente memória refere-se à descrição das soluções de detalhe métrico, técnico e construtivo, demonstrando o cumprimento das disposições aplicáveis no caso concreto, definidas no Decreto-Lei n.º 163/2006 de 8 de Agosto, onde é regulado o espaço construído no sentido de o tornar acessível a todos, nomeadamente a pessoas com mobilidade condicionada. Trata-se da definição dos procedimentos construtivos para dar resposta ao regime das acessibilidades. Procura-se explicitar as opções tomadas em função do compromisso entre o desenho e o cumprimento das normas descritas em anexo do referido decreto-lei. As soluções abordam o espaço público adjacente, nomeadamente o passeio público adjacente, os percursos desde do arruamento público até à entrada principal da moradia, assim como o percurso desde do aparcamento até ao pavimento da entrada principal. Foi estudado o espaço interior, no sentido de dar resposta às exigências da legislação sobre as acessibilidades.

Espaço público:

O passeio público a construir deverá cumprir as normas da acessibilidade, sobretudo no que respeita à largura mínima.

O passeio é inclinado, pelo que exige a criação de uma zona de transição para garantir a continuidade do percurso acessível na propriedade privada. O ponto 4.3.1 do anexo do referido Decreto-Lei especifica 1,20 m como largura mínima livre desimpedida de quaisquer elementos obstrutores para percursos pedonais, sendo 1,50 m, o especificado no ponto 1.2.1 para passeios adjacentes a vias principais e vias distribuidoras. Independentemente da consideração da natureza das vias públicas no caso concreto, a largura livre é de 1,50 m, garantida pela não previsão da instalação de mobiliário urbano sobre o passeio, ou outra forma de obstrução do percurso acessível. A localização dos portões de entrada nas áreas exteriores privativas não condiciona esta dimensão. O pavimento do passeio deverá ser contínuo e os ressaltos no pavimento só poderão existir nas soleiras dos portões de entrada nas propriedades privadas e terão dimensões para a marcação de zonas para rotação 360º, sendo colocados os portões de entrada no domínio privado em plataformas completamente niveladas.

Na área da nossa intervenção, o espaço público deverá cumprir os requisitos da acessibilidade definidos no Capítulo I, secção 1.1 das “Normas técnicas para melhoria da acessibilidade das pessoas com mobilidade condicionada” do referido Decreto-Lei, nomeadamente quanto à continuidade, à ligação ao lote construído e à largura mínima livre medida ao nível do pavimento, definida na secção 4.3.

Não se prevêem elementos que obstruam uma altura mínima livre de 2,40 m, tal o especificado no ponto 4.5.1, assim como objectos salientes colocados nos muros que ponham em causa a largura e a altura mínimas livres. Neste caso não se aplica o especificado na secção 4.6 porque não se prevêem objectos salientes.

Em relação aos revestimentos dos pisos, este deverá ser durável, tal o exigido na secção 4.7. As juntas das peças não deverão ter profundidades ou ressaltos superiores a 0,005 m. O pavimento deverá permitir ainda uma rápida drenagem das águas pluviais. Não se prevêem ressaltos no piso que comprometam a continuidade do pavimento, pondo em causa as condições de acessibilidade do mesmo.

De resto, não se prevêem escadarias ou outros elementos que exijam cuidados específicos no passeio público.

Percurso acessível desde do arruamento público até à entrada principal da moradia:

Em relação ás áreas privativas exteriores, deu-se resposta em função do especificado na secção 2.1, no que diz respeito à criação de pelo menos um percurso acessível que proporcione o “acesso seguro e confortável das pessoas com mobilidade condicionada entre a via pública, o local de entrada/saída principal e todos os espaços interiores e exteriores que o constituem”. De uma forma geral, os percursos acessíveis aqui descritos foram equacionados em função das disposições definidas no Capítulo 4 do anexo da referida legislação.

Dadas as características do terreno, assim como a cota de soleira definida, não foi possível marcar um percurso directo, sem alternância de cotas, até à respectiva entrada principal. O percurso exige a alternância de cotas, com um vencimento em altura de 0,37 m, e será executada através de dois degraus perfeitamente regulamentares. Paralelamente, prevê-se condições espaciais e técnicas para a eventual aplicação de uma plataforma elevatória sobre os degraus. O lanço desenvolve-se em duas alturas dimensionadas com 0,175 m, sendo os patins dimensionados com 0,30 m, respeitando o especificado no ponto 2.4.3. A largura do lanço é superior a 1,20 m, respeitando o especificado no ponto 2.4.1. As plataformas na base e no topo da escada possuem dimensões medidas na direcção do movimento superiores ao especificado no ponto 2.4.2, sendo que na base é garantido espaço para rotação de 360º, dado que se trata da plataforma de entrada. Na base e no topo de cada lanço serão aplicadas faixas de material táctil de cor contrastante, tal o especificado para percursos acessíveis na via pública no ponto 1.3.1., assim como faixas antiderrapantes e de sinalização visual com uma largura não inferior a 0,04 m e encastradas junto ao focinho dos degraus. Os degraus não possuem elementos salientes nos planos de concordância entre o espelho e o cobertor, tal o exigido na secção 2.4.6. Os focinhos dos degraus serão boleados com raio de curvatura de 0,01 m, tal o definido no ponto 2.4.3. Dado que a escada vence uma altura inferior a 0,40 m, não será necessário possuírem corrimãos em ambos os lados, tal como o exigido no ponto 2.4.8, respeitando o especificado no ponto 2.4.9 e, de uma forma geral, o especificado na secção 4.11.

O desenho da plataforma elevatória, representada nas peças desenhadas do presente plano de acessibilidades, é baseado na plataforma para cadeiras de rodas Hiro 350 ou similar. Adoptamos as dimensões de 0,80 m por 1,00 m para a base, respeitando o especificado no ponto 2.7.1. Estão garantidas as zonas livres mínimas de entrada e saída da plataforma, especificadas no ponto 2.7.3. Possui anteparo lateral de 0,10 m e barras de protecção rebatíveis accionadas pelo utilizador. Prevê-se que a precisão de paragem da plataforma em relação ao piso não seja superior a 0,02 m, tal o exigido no ponto 2.7.2. A plataforma elevatória seleccionada deve ter barras de protecção no seu acesso, dado que vencem desníveis superiores a 0,75 m. Os cálculos do projecto de estabilidade deverão prever a possibilidade da colocação desta plataforma elevatória, em função do seu peso e dos seus apoios, que no caso concreto serão na laje da própria escada. O projecto de estabilidade, a ser enviado juntamente com os outros projectos das diversas especialidades, foi calculado em função das forças exercidas pela aplicação dos corrimãos e da eventual plataforma elevatória sobre o pavimento.

clip_image002

Plataforma vertical Hiro 350 – exemplificando duas situações da plataforma – a exterior é a mais apropriada ao caso concreto

Este percurso acessível que procuramos materializar será o mesmo que os outros indivíduos que não tenham mobilidade condicionada deverão usar. Procuramos garantir uma largura livre nunca inferior a 1,50 m e demarcar nas áreas de transição zonas de rotação de 360º, ou seja, espaços nivelados que permitam a marcação de círculos com diâmetro de 1,50 m.

O arruamento pelo qual se coloca o portão de entrada que permite o acesso à entrada principal, não apresenta, como referido, uma inclinação, pelo que foi pacífica a colocação do portão de entrada sobre uma soleira com um ressalto nunca superior a 0,02m e com respectiva aresta boleada com um raio de 0,02 m.

O revestimento dos pisos deverão ter condições de resistência e durabilidade que acreditamos respeitar o especificado na secção 4.7, nomeadamente no equilíbrio dos reflexos das superfícies que devem localizar em valores compreendidos entre 15% e 40%, com cores nem muito claras nem muito escuras, tal o definido no ponto 4.7.2. As placas serão colocadas de forma a garantir continuidade com os outros materiais de revestimento do pavimento, nomeadamente no percurso acessível, não sendo previsto ressaltos no piso superiores a 0,005 m. Não é prevista qualquer inclinação transversal à direcção do percurso acessível.

O portão de entrada para peões terá uma largura útil mínima de 0,97 m, medida quando a respectiva folha se encontrar em ângulo de abertura de 90º, considerando uma folha com espessura de 0,03 m e largura de 1,20 m. É garantido junto às ombreiras de cada portão uma largura de 0,45 m de espaço livre, sendo também garantidas as zonas livres de manobra especificadas no ponto 4.9.6. O portão terá puxadores do tipo muleta tubular, aplicados em ambas as faces, colocados a 0,90 m de altura em relação à cota de soleira e afastados da ombreira 0,06 m, tal como o especificado nos pontos 4.9.9 e 4.9.10. Prevê-se ainda a eventual aplicação de barras horizontais com uma extensão de 0,30 m, colocadas a 0,84 m da cota de soleira, na meação da folha do portão, tal o especificado no ponto 4.9.11. A força necessária para fazer operar a porta, puxar ou empurrar, deve respeitar o especificado no ponto 4.9.13 do citado Decreto-Lei, ou seja, não deve ser superior a 22N, excepto as portas corta-fogo onde o valor pode ser superior.

Á entrada na moradia, o espaço de chegada garante área para definição de uma zona de rotação de 360º, tal o especificado no ponto 2.2.1. Este espaço tem uma altura livre de 2,50 m, respeitando o ponto 4.5.1, onde é definido que os espaços não encerrados não devem ter uma altura inferior a 2,40 m. Por seu lado, a porta de entrada tem uma altura útil de 2,10 m, superior ao especificado no ponto 4.9.2, que especifica 2,00 m no mínimo. De referir que as soleiras não ultrapassam 0,02 m de altura, sendo o vértice visível boleado com um raio de curvatura de 0,02 m, dentro do exigido na secção 4.8.

As ombreiras da porta da entrada principal respeitam os espaços mínimos exigíveis, possuindo zonas de manobra especificadas no ponto 4.9.6, dispondo no interior, em ambos os lados, pelo menos 0,30 m. De uma forma geral, a porta possui zona de manobra desobstruída com as dimensões estipuladas no ponto 4.9.6. Cumprindo o ponto 2.2.3, a folha da porta de entrada no fogo terá a largura de 1,00 m, garantindo largura útil de passagem de 0,97 m quando aberta a 90º, adoptando uma folha de 0,03 m de espessura. O puxador da porta será do tipo muleta tubular, sendo aplicado a 0,90 m de altura em relação à cota de soleira, em ambos os lados, e afastado da ombreira adjacente 0,06 m, tal o especificado nos pontos 4.9.9 e 4.9.10. Para além do puxador do tipo muleta tubular, prevê-se a eventual aplicação de barra horizontal com extensão de 0,30 m sobre ambas as faces da folha da porta, colocadas a 0,84 m de altura, tal o especificado no ponto 4.9.11. A força necessária para fazer operar a porta deve respeitar o especificado no ponto 4.9.13, ou seja, não deve ser superior a 22N. De resto, prevê-se a colocação de marcas de segurança em forma circular sobre os grandes panos envidraçados, colocados no centro e a 1,35 m de altura em relação à cota de soleira, respeitando o especificado no ponto 4.9.14.

Em conclusão, acreditamos que o percurso materializado entre o portão de entrada e a entrada principal no fogo respeita satisfatoriamente os requisitos da acessibilidade.

Percursos acessíveis no interior do fogo:

Os espaços internos terão qualidades para se tornarem acessíveis.

A cozinha terá espaço para a marcação de zonas de rotação de 360º, sem a obstrução do mobiliário. As portas terão os espaços de manobra exigíveis e serão dotadas de puxadores do tipo muleta tubular, afastados das respectivas ombreiras 0,06 m e colocados a 0,90 m de altura em relação ao respectivo pavimento. As portas interiores terão uma largura livre de pelo menos 0,77 m, medida quando a respectivas folhas se encontrarem abertas a 90º. As portas exteriores possuirão soleiras com ressaltos não superiores a 0,02 m, sendo as arestas boleadas.

Os percursos no interior das habitações respeitarão a largura mínima de 1,10 m especificada no ponto 3.3.2. Os degraus existentes terão condições técnicas e espaciais para poderem receber plataformas elevatórias sobre os degraus.

Sendo obrigatório a sua aplicação no caso concreto, os corrimãos propostos respeitam o especificado no ponto 2.4.9, nomeadamente às alturas exigidas e o prolongamento mínimo necessário na base e no topo de cada lanço, cerca de 0,30 m. Em associação aos corrimãos duplos previstos em ambos os lados do percurso, projecta-se também guardas em tubo de aço inox com secção inferior à dos elementos prenseis dos corrimãos.

O desenho da plataforma elevatória, representada nas peças desenhadas do presente plano de acessibilidades, é baseado na plataforma para cadeiras de rodas Hiro 350 ou similar. Adoptamos as dimensões de 0,80 m por 1,00 m para a base, respeitando o especificado no ponto 2.7.1. Estão garantidas as zonas livres mínimas de entrada e saída da plataforma, especificadas no ponto 2.7.3. Possui anteparo lateral de 0,10 m e barras de protecção rebatíveis accionadas pelo utilizador. Prevê-se que a precisão de paragem da plataforma em relação ao piso não seja superior a 0,02 m, tal o exigido no ponto 2.7.2. A plataforma elevatória seleccionada deve ter barras de protecção no seu acesso, dado que vencem desníveis superiores a 0,75 m. Os cálculos do projecto de estabilidade deverão prever a possibilidade da colocação desta plataforma elevatória, em função do seu peso e dos seus apoios, que no caso concreto serão na laje da própria escada. O projecto de estabilidade, a ser enviado juntamente com os outros projectos das diversas especialidades, deverá ser calculado em função das forças exercidas pela aplicação dos corrimãos e da eventual plataforma elevatória sobre o pavimento.

Serão tomadas considerações especiais no banho geral. Será por isso respeitado o especificado na secção 2.9. A disposição das peças sanitárias, lavatório, sanita, bidé e banheira, garantem zonas livres de permanência junto à sanita e banheira (0,75 m x 1,20 m), tal especificado na secção 4.1, assim como área para a marcação de uma zona de manobra para rotação de 360º.

Está prevista a capacidade de colocação de barras de apoio, tanto na sanita, como na banheira, conforme o especificado no 2.9.4 e no 2.9.7, respectivamente. Previu-se também a possibilidade de colocação de um acento sobre a banheira conforme o especificado 2.9.7. As paredes adjacentes à sanita e á banheira deverão ter qualidades construtivas para a possível aplicação de barras de apoio, conforme o especificado nos pontos 2.9.4 e 2.9.7, respectivamente.

Dado que se trata de um banho de uso geral, não sendo apenas usado por pessoas de mobilidade condicionada, a altura adoptada para o lavatório será de 0,90 m, ou seja, adaptada para um maior número de tipos de utilizador, dado que a altura de 0,80 m, sugerida no ponto 2.9.13 para o bordo do lavatório acessível, é apenas confortável para uso de uma pessoa em cadeira de rodas. O lavatório proposto respeita, contudo, a zona livre de alcance lateral definida pelo ponto 4.2.2.

Em relação aos corrimãos, o perfil dos elementos preênseis será circular e terá um diâmetro de 0,04 m. Deverão estar afastados 0,04 m dos planos verticais adjacentes. Se não for possível este corrimão, os elementos preênseis devem ter um perfil circular de diâmetro compreendido entre 0,035 m e 0,05 m, tal o especificado no ponto 4.11.1. São definidos dois elementos prenseis, localizados respectivamente a 0,90 m e a 0,75 m, medidos desde o pavimento até ao topo de cada elemento. Os corrimãos serão fixos, livres de quaisquer obstruções e não rodarão dentro dos suportes, tal o exigido no ponto 4.11.5. Quanto ao desenho dos corrimãos, optou-se pelas formas arredondadas, evitando extremidades projectadas perigosas ou arestas vivas, pretendendo com isto respeitar o estipulado no ponto 4.11.4. Complementarmente, o material dos corrimãos não deverá ser abrasivo. Serão aplicados em elementos verticais intermédios em aço inox, apoiados no pavimento. Estes elementos verticais estarão posicionados de forma a não obstruir a passagem da pessoa com mobilidade condicionada. Eles devem ser fixados de acordo com os desenhos à escala 1:10 do Plano de acessibilidades. De uma forma geral e como o referido, estes elementos respeitam o especificado na secção 4.11.

Percursos acessíveis desde da área de aparcamento automóvel até aos respectivos pavimentos das entradas principais:

Em relação aos percursos acessíveis desde do aparcamento até ao pavimento da entrada principal não se consideram procedimentos especiais. O percurso implica a passagem por duas portas com características espaciais iguais às portas interiores, sendo necessário o uso da escada ou plataforma elevatória sobre degraus.

Dentro do aparcamento são garantidos espaços para a definição de zonas de rotação de 360º. Tal como o permitido no ponto 3.2.6, não se prevêem lugares de estacionamento específicos para veículos de pessoas com mobilidade condicionada, visto que a lotação é inferior a 13 lugares.

Procedimentos Específicos na materialização da rede de percursos acessíveis:

Materializa-se percursos acessíveis comuns a todos os utilizadores, quer estes tenham mobilidade condicionada, quer não tenham, respeitando o ponto 2.1.3.

É dada resposta ao ponto 2.1.1 no que se refere à criação de um percurso acessível entre a via pública e entrada/saída principal, e todos os espaços interiores e exteriores do edifício em questão, à excepção de alguns espaços com funções equivalentes, situação enquadrada no ponto 2.1.2, alínea 1).

As dimensões dos espaços exteriores de acesso às portas principais da moradia têm condições para a inscrição de zonas de manobra para a rotação de 360, ou seja a inscrição de um círculo de 1,50 m de diâmetro, tal o exige o ponto 2.2.1. A largura útil de cada porta será de pelo menos 0,87 m, tal o especifica o ponto 2.2.3.

Os corredores internos do fogo terão pelo menos 1,20 m de largura (ponto 2.3.1), embora pudesse ter pelo menos 1,10 m, tal excepção permitida para habitação. No entanto há zonas com largura superior que permite a marcação de zonas de manobra para a rotação ou mudança de direcção (ponto 2.3.3), não existindo uma extensão superior a 10,00 m.

A escada existente entre a Cave e o Rés-do-Chão poderá ser enquadrada no percurso acessível. A escada possui a largura de 1,05 m, enquadrando-se nas exigências para habitação. Possui patamares de descanso, superior e inferior, com pelo menos 1,20 m de profundidade, medidos no sentido do movimento (ponto 2.4.2, alínea 1)). As características dos degraus cumprem o ponto 2.4.3, ou seja, os patins possuem a profundidade de 0,30 m e os espelhos a altura de 0,18 m. Junto aos focinhos dos degraus serão encastrados fachas de material táctil anti-derrapante de cor contrastante com largura de 0,06 m. Os focinhos dos degraus não terão elementos salientes e serão boleados com um raio de 0,01 m. As escadas possuem corrimãos num só lado, a uma altura de 0,90 m.

Em conclusão, julgamos dar satisfatoriamente cumprimento ao Decreto-Lei n.º 163/2006 de 8 de Agosto.

 

Capaçães, 31 de Fevereiro de 2010

O técnico:………………………….…

 

- Anabela Pereira

Memória Descritiva – Projecto de Arquitectura de Habitação

 

image

Sabemos que para quem trabalha na área de projectos de arquitectura, a elaboração de uma memória descritiva/justificativa – documento indispensável ao processo de licenciamento - é por vezes um quebra cabeças. Neste sentido, principalmente dirigida a quem considera que possa ser uma ajuda ou contributo, nomeadamente pela estrutura a seguir, deixamos aqui um exemplo prático de uma memoria descritiva referente ao projecto de arquitectura de uma moradia unifamiliar.

Escusado será dizer que há determinadas situações, desde logo a tipologia e programa, para além de outras, que devem ser devidamente actualizadas à realidade e ao projecto a aplicar.

Se o tema desperatr algum interesse poderemos vir a publicar outros exemplos.

 

Memória Descritiva e Justificativa
Projecto de Arquitectura

1 – Identificação do requerente / Obra /  Localização da obra:
Nome:
Morada:
Obra: Construção de moradia unifamiliar isolada e muro de vedação à face da rua
Local da Obra:

2 – Caracterização do terreno / arruamento:
O terreno, de acordo com as cartas de zonamento do PDM de ------------------------------------, está integrado em Área de Urbanização Condicionada, e também em Área de Reserva Agrícola Nacional. A proposta da construção implanta-se na zona de Área de Urbanização Condicionada, mas numa zona de edificação consolidada.
O terreno, de geometria aproximadamente rectangular, é servido a poente por arruamento público, designado de Rua da -----------------------, dispondo relativamente ao mesmo de uma frente de cerca de 18,50 m.
O arruamento na sua relação com o terreno desenvolve-se com um ligeiro declive no sentido sul/norte, com uma inclinação de sensivelmente 2%. O terreno desenvolve-se numa plataforma com declive relativamente acentuado no sentido poente/nascente.
O terreno tem uma área total de 1375,00 m2 e encontra-se descrito na Conservatória do Registo Predial de ------------------------------------ sob o Nº -----/------------ e na matriz pelo artigo rústico Nº -------------. A área a afectar à construção para efeito de cálculos dos índices urbanísticos é de 750,00, aquela que está integrada em Área de Urbanização Condicionada.

3 – Critérios de implantação:
A obra será implantada de forma paralela ao eixo do arruamento, com alinhamento definido pelos cunhais mais avançados. O muro e passeio seguirão os alinhamentos já definidos na construção recente existente a norte.
A cota de soleira adoptada pretende obter o relacionamento mais adequado da obra com o arruamento, nomeadamente tendo em conta a facilidade das acessibilidades a pessoas deficientes ou com mobilidade condicionada.
Lateral e frontalmente a implantação respeita os afastamentos e definições regulamentares previstas no RGEU, e no Regulamento Municipal, nomeadamente quanto à relação entre a altura do perfil natural do terreno e a fachada

4 – Programa proposto:
Trata-se de uma moradia de tipologia T3, composta por Cave, R/C e Águas-Furtadas, com uma cobertura convencional de tipo “quatro-águas”, de dois elementos, com cumeeira. Parcialmente na fachada frontal poente, dispõe de um pátio alpendrado.
A Cave, destina-se a garagem e a arrumos e dispõe de um portão de acesso a partir do alçado posterior, a nascente.
O R/C destina-se a habitação, sendo do tipo T3, portanto com vestíbulo, cozinha comum, sala comum, três quartos de dormir e duas instalações sanitárias (um banho completo de uso comum e um banho privativo de uso de um dos quartos). Sobre a fachada posterior, a nascente, desenvolvem-se duas varandas.
O aproveitamento do vão da Cobertura, designado de Águas-Furtadas, destina-se a complemento da habitação, com uma função de sala de leitura. A iluminação é assegurada por janelas de telhado do tipo “Velux”.
A comunicação vertical entre os pavimentos é assegurada por escada interior, enclausurada entre a Cave e a zona de habitação.
O acesso de pessoas ao hall processa-se pela zona lateral sul da habitação. O acesso automóvel processa-se por rampa lateral, com portão exterior praticado na extremidade norte do muro da rua.

5 – Aspectos gerais de construção:
5.1 – Aterros / Desaterros / Fundações
Serão feitas as movimentações de terra necessárias à implantação da obra de acordo com as cotas de soleira previstas no presente projecto.
Tendo em conta o perfil natural do terreno, este será alvo de modelação, nomeadamente na criação da plataforma para a implantação da obra e espaços de circulação.

5.2 – Estrutura / Paredes
A edificação terá uma estrutura base formada por sapatas, pilares e vigas em betão armado.
As paredes exteriores da Cave que suportem encosto de terras serão realizadas em betão armado com uma espessura de 20 cm e as restantes em blocos térmicos de betão. Pelo interior será aplicada uma fiada em tijolo vazado, com 0,07 de espessura.
As paredes exteriores do Rés-do-Chão serão realizadas em fiada dupla de tijolo vazado com 11 cm de espessura cada, formando-se entre elas uma caixa-de-ar com 3 cm. A folga exterior será destinada à aplicação do revestimento térmico tipo “capoto”.
As paredes divisórias interiores serão constituídas por paredes simples de tijolo cerâmico vazado com as dimensões por peça de 0.30 x 0.20 x 0.11 m.
O muro de suporte de terras, na criação da plataforma de circulação automóvel, na zona posterior de acesso à garagem, será realizado em betão armado.
Toda a construção do prédio projectado deverá obedecer aos cálculos definidos pelo Projecto de Estabilidade e Betão Armado a apresentar, nomeadamente sobre fundações, estruturas, materiais, etç.

5.3 – Pisos / Pavimentos / Tectos / Cobertura
O pavimento da Cave será realizado com caixa de brita e argamassa, com as alturas de 20 e 10 cm, respectivamente, assente sobre o piso devidamente compactado. O pavimento será reforçado com malha-sol.
Os tectos da Cave e do R/C serão realizados em laje pré-esforçada. A cobertura será realizada com sistema de laje pré-esforçada. Será revestida com telha cerâmica em barro natural do tipo “Sotelha – Rooftile”.

5.4 – Revestimento térmico / Impermeabilizações
As fachadas exteriores ao nível do R/C serão revestidas com o sistema tipo “capoto”.
As paredes exteriores que suportem encosto de terras ao nível da Cave serão devidamente hidrofugadas.
Ao nível do lintel de fundação, a nascente, será realizado um sistema de drenagem das águas pluviais infiltrada, composto por tubo perfurado superiormente, envolvido em caixa de brita e godo e esta em manta geotextil.
Apesar destas considerações generalistas, todos os aspectos de impermeabilização deverão respeitar as definições a prever no Projecto de Comportamento Térmico.

6 – Aspectos gerais de acabamentos:
6.1 – Fachadas exteriores / Telhado / Arranjos exteriores
Os acabamentos exteriores da edificação estão descritos nas peças desenhadas correspondentes aos alçados.
Fachadas areadas e pintadas a tinta plástica de cor creme claro
O telhado será realizado com telha cerâmica de barro natural vermelho, do tipo “bébé”.
O espaço exterior de acesso automóvel será realizado em betonilha esquartelada alisada. O passeio de acesso à habitação, bem como o pátio frontal serão revestidos a tijoleira cerâmica. A zona frontal e lateral sul será ajardinada. O logradouro a nascente manterá a actual afectação.
O passeio público, que dará continuidade ao existente a norte, será realizado em guias de betão, com altura de 0,25 m (espelho de 0,14 m) e largura de 0,20 m, assentes sobre fundação de betão pobre (200Kg/m3). O passeio será pavimentado com pedras de betão assentes sobre almofada de areia e pó-de-pedra com 0,12 m e fundação em “tout-venant” com 0,20 m e acabamento superficial a traço-seco.

Muro de vedação:
Conforme já se referiu, faz parte do projecto a construção de muro de vedação à face do arruamento e interiores, com um comprimento total de 18,50 ml.
O muro da rua disporá de duas entradas, sendo uma de pessoas, centralizada no enfiamento da entrada de acesso e uma destinada a acesso de automóveis, na extrema lateral norte.
O muro da rua respeita as definições regulamentares, nomeadamente quanto à sua altura e desenvolvimento em segmento horizontal.
O muro da rua será realizado com blocos de betão com uma espessura de 20 cm.
O muro será assente numa sapata contínua de betão ciclópico e intervalados por pilares em betão armado assentes em sapatas. Será amarrado superiormente por viga-cinta. Terá acabamento a reboco de argamassa de cimento, em areado liso e pintado a tinta plástica de cor creme claro e será coroado com remate em granito picado. Os portões serão realizados em chapa metálica, esmaltados a branco.

6.2 – Acabamentos interiores / Pavimentos / Paredes / Tectos
Os pavimentos dos espaços da Cave serão revestidos a tijoleira cerâmica e as paredes e tectos serão areados e pintados a tinta plástica de cor branco.
Os pavimentos do R/C serão revestidos com soalho em madeira de cerejeira, nos quartos e os restantes espaços (cozinha, sala, banhos, circulação) serão revestidos em tijoleira cerâmica. O pátio e passeios adjacentes serão revestidos em tijoleira cerâmica. As paredes da cozinha/copa e banhos serão revestidos a tijoleira cerâmica vidrada. As restantes paredes serão estanhadas e pintadas a tinta plástica. Os tectos serão todos estucados a gesso. O tecto da zona do pátio exterior será revestido com reguado de madeira de mogno.
Nas Águas-Furtadas o pavimento será revestido a tijoleira cerâmica e as paredes e tectos em reboco de argamassa de cimento com pintura a tinta plástica de cor clara.

6.3 – Serralharias / Caixilharias / Vidraças
As caixilharias exteriores serão realizadas em alumínio de corte térmico, termolacado na cor “champanhe”.
Para oclusão dos vãos exteriores serão instalados estores eléctricos em alumínio de corte térmico, em cor “champanhe”.
As vidraças a aplicar nas portas e janelas exteriores serão do tipo duplo, transparentes.
As caixilharias interiores, guarnições, aros, portas e roda-pé, serão em madeira de Tola, envernizadas. A escada interior da Cave ao R/C será revestida a granito amaciado e do R/C às Águas-Furtadas será revestida a madeira. A guarda e corrimão serão em madeira.

7 – Infra-estruturas:
7.1 – Rede de Esgotos
Os esgotos provenientes das instalações sanitárias e cozinha serão encaminhados para uma fossa séptica com poço absorvente a construir no local, ficando prevista a sua ligação à futura rede pública.
Os tipos, características e diâmetros das tubagens a utilizar são descritos no projecto da especialidade.

7.2 – Rede de Águas Pluviais
As águas pluviais provenientes da cobertura, serão captadas por caleira circundante no perímetro da mesma e descarregadas por tubos de queda em PVC, para a valeta pública.
O desenvolvimento da rede, características de materias e diâmetros de tubagens serão devidamente descritas no projecto de rede de esgotos.

7.3 – Rede de Abastecimento de Água
O abastaceimento de água será realizado a partir da rede pública.
A água será conduzida por rede própria abastecendo as diferentes peças nas zonas sanitárias, lavandaria e na cozinha, bem como torneiras de serviço e rega no exterior do edifício. O abastecimento de água quente será garantido por esquentador a Gás.
Todas as características da rede, como materiais, acessórios e dimensionamentos, serão as indicadas no projecto da especialidade.

7.4 – Rede de Abastecimento de Gás.
O abastecimento será realizado a partir de garrafas tipo G110 de gás propano alojadas em cabine própria. Ficará prevista a ligação á futura rede pública de gás natural.
Todas as características da rede, como materiais, acessórios e dimensionamentos, serão as indicadas no projecto da especialidade.

7.5 – Rede Eléctrica e de Tele-Comunicações.
A rede de energia eléctrica será executada por profissional competente e responsabilizada por técnico idóneo, sendo observadas na sua execução todas as normas técnicas gerais e específicas em vigor.
Serão realizados todos os pontos de iluminação, tomadas, etç. Será também realizada a rede de telecomunicações, de acordo com as indicações técnicas em vigor pela Telecom, bem como rede de recepção de meios de radiodifusão. O abastecimento de electricidade será feito pela empresa pública de distribuição.
Todas as características da rede, como materiais, acessórios e dimensionamentos, serão as indicadas no projecto da especialidade.

8 – Segurança contra incêndios:
As portas da caixa-de-escada interior ao nível da Cave será do tipo corta-fogo.
A cozinha e a garagem deverão ser dotadas com extintores de pó-químico tipo ABC, de 2 e 4 Kg, respectivamente.
Os fumos e gases do fogão e esquentador serão conduzidos por chaminé com saída no exterior da cobertura.

9 – Projectos das Especialidades:
Posteriormente à aprovação do projecto de Arquitectura, apresentar-se-ão os seguintes projectos de especialidades: Cálculos de Estabilidade e Betão Armado, Rede Saneamento, Rede de Águas Pluviais, Rede de Abastecimento de Água, Rede de Gás, ITED,  Comportamento Térmico e Estudo Acústico.
Apresenta-se ainda uma ficha electrotécnica referindo a potência eléctrica prevista.

10 – Adequabilidade e enquadramento da proposta para com as normas regulamentares do PDM:
A pretensão enquadra-se perfeitamente no plano director municipal. Estando inserida em área de construção preferente, sem quaisquer condicionantes ou restrições. Adequa-se por isso ao plano de ordenamento do território contido no Plano Director Municipal de ------------------------ e seu Regulamento, bem como respeita os diversos índices de construção e ocupação.
São respeitadas as normas previstas pelo RMUE – Regulamento Municipal da Urbanização e Edificação e pelo RGEU – Regulamento Geral das Edificações Urbanas.
A construção cumpre e respeita as normas relativas ao Regulamento de Incêndios, salubridade, etç.
A edificação proposta e as suas soluções, ao nível de programa, funcionalidade e compartimentação, adequam-se perfeitamente à utilização pretendida, que é de habitação unifamiliar.
A proposta adequa-se às infra-estruturas básicas existentes, na linha do que acontece com as construções limítrofes.
Em suma, a proposta reúne todas as condições regulamentares objectivas conducentes à sua aprovação e licenciamento.

11 – Plano de acessibilidades a pessoas deficientes ou com mobilidade condicionada. Decreto-Lei, 163/2006 de 08/08:
É apresentado o plano de acessibilidades, em peças desenhadas anexas. Em anexo é também apresentada a respectiva memória descritiva e justificativa das soluções preconizadas no respectivo plano.

12 – Considerações finais:
A presente memória descreve de um modo geral e sucinto, os principais aspectos, enquadramento e características do projecto de arquitectura e a sua articulação com os demais aspectos técnicos.
Para além disso, esta memória não deverá ser considerada como elemento referencial e director para a execução de qualquer fase da empreitada de construção, devendo para o efeito ser redigidos os respectivos Cadernos de Encargos e seguidos os respectivos projectos de todas as especialidades.

Local, 25 de Junho de 2010
O técnico:   …………………………..…………………

 

- Anabela Pereira

Crocodoc – armazenamento e partilha de documentos

 

image

O Crocodoc é um serviço que permite armazenar e partilhar documentos.
Esta plataforma tem algumas vantagens relativamente a outros conhecidos serviços similares, nomeadamente com a possibilidade de edição e revisão dos documentos.
Crocodoc oferece três níveis de serviço: O gratuito, o profissional e para empresas. É claro que os dois últimos porque oferecem maiores vantagens, são pagos.

- Veja uma demonstração:

 

- Anabela Pereira

Documentos – Guerra Civil Americana

 

image

Fantástico sítio sobre a guerra civil americana, com um infindável lote de recursos históricos, desde ilustrações, reproduções de litografias, fotografias e histórias. Ao todo são mais de 7000 páginas de conteúdo.
Dispõe da reprodução em excelente definição das edições do jornal Harper's Weekly - A Jornal Of Civilization, que acompanhou o dia-a-dia da sangrenta Guerra de Secessão.

Sítio: Son of the south

Créditos: Grilo Cantante

Outros artigos:

tecnologia, informática, internet, programas, aplicativos, software, open source, programas livres, freeware, linux, windows, firefox, internet explorer, artigos, análises, notícias, autocad, cad, rotinas, rotinas lisp, lisp, autolisp, intellicad, vídeo, youtube, áudio, mp3, jpg, bmp, gif, pmg, gimp, inkscape, xn view, photofiltre, google, gmail, converter, conversores, editores, host, downloads, p2p, gexo, porntube, redtube, xnxx, mediacoder, 7zip, nvu, blender, programação, programar, php, perl, asp, html, xml, office, mysql, easyphp, gnu, gpl, c, c++, css, web design, tutorial, tutoriais, manual, how to, truques e dicas, truques, scribus, notepad++, pidgin, messenger, mac, mozilla, mplayer, wma, vorbis