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A importância das palavras

 

As palavras têm o significado e o poder que lhe queremos dar e em função da sua importãncia em cada contexto.

Não deixa assim de ser curioso que o dicionário online da Priberam, nos revele que a palavra “foda” foi pesquisada o máximo mensal de 3000 vezes nos últimos 35 meses. Ao contrário, a palavra “crise” fica-se por menos de metade.

Certo é que independentemente da quantidade de procura, nunca foi tão forte a relação destas duas palavras, que é como quem diz, estamos bem “fodidos” com esta crise e com esta classe de governantes e políticos que não deixa de nos “foder” há décadas.

Todavia, remetendo essa responsabilidade para o poderoso motor de busca do Google, pesquisando em páginas de Portugal, o resultado para a palavra "foda" é de 424.000 enquanto que para a palavra "crise" a diferença é avassaladora, ou seja, 19.000.000. Conclusão, a maioria dos portugueses está mesmo mais preocupada com a crise do que com a “foda”, embora, como se perceberá, uma está ligada à outra. É do catano perceber isso, mas é verdade.

 

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A geração à rasca – O verdadeiro segredo

 

Sobre a geração à rasca, chegou-nos um interessante texto à caixa de email. Não está assinado, desconhecendo-se assim o autor e origem, mas estamos certos que pela pertinência da análise, é um fiel retrato da situação deste nosso pobre país, pelo que merece ser partilhado, embora não agrade a todos. Há verdades que não se devem dizer porque podem ferir certos idealistas.

“ Um dia, isto tinha de acontecer. Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente! Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhesas agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar
com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infânciae na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos. Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a
minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível , dinheiro no bolso . Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o
melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas
vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu,  secou. Foi então que os pais ficaram à rasca. Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música, bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquer-coisa-phones ou ipads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar! A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo
menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego , mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em
sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura, capacidade e competência, solidariedade e inteligência nesta geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados
pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles. A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta. Pode ser que nada/ninguém seja assim.”

Verdades…

 

Este é um daqueles textos que nos chegam via email. Desconheço assim se este profesor Kuing Yaman existe verdadeiramente, se é chinês ou se viveu mesmo em França. De todo modo, as constatações não poderiam ser mais verdadeiras.

Fica, então a título de reflexão:

Para ler e reflectir desapaixonadamente sobre o  actual estado da Europa e tentar achar soluções dinãmicas e eficazes  nesta conjuntura, sem fazer politica de avestruz....Nenhum país ou empresa sobrevive quando gasta  muito acima da sua real produtividade. Endividar-se para manter um determinado estilo de vida, não pode durar muito... é uma análise demasiado crua e  impiedosa e dolorosa, mas não deixa de tocar em alguns assuntos chaves e que têm sido tabus na Europa.

PARA LER E MEDITAR

Entrevista de um professor chinês de economia, sobre a Europa, o Prof. Kuing Yaman, que viveu em França:

1. A sociedade europeia está em vias de se auto-destruir. O seu modelo social é muito exigente em meios financeiros. Mas, ao mesmo tempo, os europeus não querem trabalhar. Só três coisas lhes interessam: lazer/entretenimento, ecologia e futebol na TV! Vivem, portanto, bem acima dos seus meios. Porque é preciso pagar estes sonhos de miúdos...

2. Os seus industriais deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.

3. Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus filhos não poderão pagar 'a conta'.

4. Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo. Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.

5. Mas, para além de se endividar, têm outro vício: os seus governos 'sangram' os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal. É um verdadeiro 'inferno fiscal' para aqueles que criam riqueza.

6. Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.

7. Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação.  A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do... da China!

8. Dentro de uma ou duas gerações 'nós' (os chineses) iremos ultrapassá-los. Eles tornar-se-ão os nossos pobres. Dar-lhes-emos sacas de arroz...

9. Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia, querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um desempregado...

10. Vão (os europeus) direitos a um muro e a alta velocidade...

 

- Rui Santos Sá

O Bitaites vai ter publicidade, pá

 

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O Bitaites é uma das boas referências da blogosfera nacional e quase dispensa apresentações.
Mesmo sem fazer parte do mais ou menos habitual painel de comentadores, confesso que acompanho com regularidade, que mais não seja pelas magníficas compilações musicais que disponibiliza e pelos fantásticos olhares sobre a astronomia, fascínio que partilho.


O autor, o Marco Santos, escreve de facto muito bem e sabe vestir as ideias com as palavras certas. Mais do que isso, tem um estilo próprio e peculiar, o que nem sempre é fácil. É exímio nos trocadilhos e nas analogias e sabe a receita da confecção de posts populares; usa os ingredientes qb e sabe usar o fermento na quantidade certa para empolar as questões. Religião, futebol, cinema, música, astrologia, etç, são temas que podem ser condimentados nas doses adequadas para gerarem as reacções necessárias ao sucesso de um artigo. Não esconde a sua formatação de esquerda, e daí resvalam algumas das polémicas mais populares derimidas no blog.


Todavia, para quem o acompanha com regularidade, acaba por conhecer os cantos à casa e às tantas é capaz, a meio da noite, completamente às escuras, descer à Cave ou subir ao sótão apenas de forma institiva e sabe onde há-de pôr os pés e não há degrau ou saliência que não se conheça. Por ser tão consistente, o Bitaites revela simultaneamente o seu código-fonte e um bom visitante / programador sabe com antecedência o resultado dos seus fluxogramas e daí alguma previsibilidade.


Serve esta analogia com o facto de o Bitaites anunciar que vai aderir à publicidade. Isto só por si não é novidade pois a publicidade em blogs é o que mais há e na maior parte é a sua razão de ser, a sua estrutura e onde o conteúdo é um mero revestimento. Um blog é apenas uma simples lua presa na gravidade do planeta Adsense ou outro. Alguns blogs, são ainda uma espécie de Saturno, poluídos com um denso anel de asteróides publicitários com origens manhosas, tornando a nevegação demasiado perigosa para qualquer frágil sonda.
Este anúncio do Bitaites apenas surpreende pela renitência com que o autor sempre encarou a possibilidade de integrar publicidade e daí travou batalhas e esgrimiu argumentos. Dessas lutas interiores resultou uma fórmula de donativo, não pedinchice, via PayPal e agora, finalmente, a publicidade.
É verdade que esta decisão está explicada e fundamentada e a coisa vai ser devidamente alinhada e assim esperamos uma publicidade asséptica, esterilizada de modo a que a coisa não seja uma peça de mobiliário estilo Luis XV descontextualizada numa sala minimalista.


Seja como for, mesmo sendo conhecedor da actual situação do autor, a verdade é que esta decisão era, afinal de contas, desde há muito esperada e previsível. Demasiado, até. As renitências, as lutas fraticidas entre os prós e os contras, não eram mais do que meros floreados e daí que, surpreendentemente sem surpresas, o Bitaites vai alinhar pela globalidade. E faz muito bem e em nada prejudicará o projecto. Para além do mais, é perfeitamente justo e natural que quem escreve e alimenta um espaço com qualidade, tire daí algum proveito legítimo e digno.

Afinal, a lei natural das coisas e eis-nos chegados ao rendez-vous que qualquer Zandiga há muito teria marcado.

 

- Rui Santos Sá

The Day After

 

Por dois ou três dias, o país ficou a orbitar em êxtase na gravidade etéria do clássico do futebol nacional, o F.C. do Porto - Benfica, esquecendo tudo e todo o resto.

Terminado o jogo, e logo que as televisões e jornais esgotem o assunto e concluam as dissecações, autópsias e biópsias, o que só acontecerá lá para o meio da semana, o país voltará à realidade das coisas, ou seja, um país mal governado, atolado em crise, a meter água por todos os lados, enfiado num túnel em que o ténue ponto de luz que há pouco se vislumbrava  como uma esperança, algures na extremidade, foi por estes dias extinto por um orçamento que promete mais crise e mais miséria.

Mas os portugueses são bons nesta metamorfose e sempre que há um jogo de futebol desta natureza, ele passa a ser o centro de interesse, o centro do nosso pequeno universo, moldando atitudes e personalidades, absorvendo raivas e rancores.

Para além do desfecho do jogo, que pelos números diz e explica tudo, como uma ampla cesta onde cabe a qualidade individual de um Hulk, que carrega a equipa às costas, onde cabe a qualidade intrínseca do colectivo azul-e-branco e onde cabe o descalabro de uma equipa a anos-luz da qualidade da época transacta, que chegou ao Dragão já com um fosso de 7 pontos, e agravada pelos inventos em cima-do-pé do professor Pardal Jesus.

Ainda o F-C. do Porto não tinha aberto o activo, o que de resto não demoraria, e já se constatava que com as alterações no esquema da equipa, o Benfica estava a jogar com menos um central e com menos um defesa-esquerdo, para além de faltar o Aimar, ausente estando em jogo, e Saviola, que não esteve em jogo. Resumindo, um autêntico harakiri ou mais corriqueiramente, um “baixar as calças”.  Adiante, até porque com 10 pontos, mais 1 do confronto, o campeonato está decidido e só por questões de compromissos a procissão vai continuar  ritmada até ao adro de Maio onde o F.C. do Porto há-de chegar no andor.

Apesar de tudo, importa reflectir no seguinte: Era apenas uma partida de futebol na qual estava em jogo 3 pontos, os mesmos que estariam caso qualquer um dos intervenientes fosse, sem desmérito, o Olhanense ou o Cascalheira F.C. Apesar disso, todo o clima à volta da viagem do Benfica até ao Porto fez-nos transportar a ambientes de guerra e terrorismo, num qualquer Iraque ou Afeganistão e com o clube lisboeta a pernoitar numa cidade açaimada num perímetro de segurança vigiado por um dispositivo policial desmesurado mas necessário.

Este é o nosso futebol que muitos desejam que continue assim, doentio e motivo de divisões, de faccionismos e de bairrismos que colocam o país ao nível de um qualquer gueto de subúrbio. Um país que chuta para canto a gravidade dos indícios de escutas telefónicas que revelam um sistema instalado e frutífero como se em nome da legalidade se deva assobiar para o lado. 

E não se pense que estas coisas só aparecem por ocasião destes jogos e a reboque ou despoletados por "mind games" dos intervenientes; Não. Tenho estado em formação a decorrer no Porto e, nos apartes das aulas e nas conversas de corredor, durante o café ou o almoço, são recorrentes as manifestações desse bairrismo bacoco e provinciano, numa constante alusão aos "mouros", aos FDP de Lisboa e outras bacoradas que só acentuam esse clima que depois há-de enrolar-se como bola-de-neve (ou bolas de  golfe) e dasaguar às portas da cidade ou do estádio. Esta linguagem e esta forma de ser e de se pensar está presente tanto nos formandos como nos formadores e explica-se como a acendalha de outros rastilhos maiores. Face a essa crispação quase doentia, os adeptos do Benfica, mesmo que em maioria, calam-se, obviamente.


É esta a realidade e não será de surpreender que depois as coisas sejam como são e que um jogo de futebol que deveria ser um hino à modalidade e ao desporto se transforme numa batalha irracional, de extremos e de confrontos, do tudo ou nada, do mata-mata, tão inúteis como desnecessários mas, paradoxalmente, preciosos para este país, porque pelo menos têm o condão de fazer esquecer outras alarvidades e incompetências tanto na política como na economia.

 

- Rui Santos Sá

São todos uns FDP

 

Entre a sua utilidade óbvia, por vezes não deixa de ser curioso jogar com as capacidades de busca do Google e a partir dos seus resultados tentar dissecar algumas realidades, ou não. Se não no plano da curiosidade nem da metafísica, pelo menos como um passatempo, no género daquele funcionário público que na repartição se diverte a fazer esperar o utente enquanto num divertimento lorpa vai consultando as piadas que lhe encharcam o seu email.


Neste caso particular, um colega de gabinete, fulo por ter acabado de ser multado por um estacionamento em local impróprio, apesar da prevaricação ter durado apenas 5 minutinhos, entrou pela porta adentro vociferando "...são todos uns filhos da puta!". Ainda pensei estar a referir-se à rapaziada do Governo a propósito das anunciadas medidas de austeridade, ou mesmo aos árbitros que têm tentado resolver a classificação final da Liga Zon Sagres logo à sexta jornada, sacudindo o Glorioso para a cauda do pelotão, mas não. Era mesmo contra a polícia em concreto e em abastracto, justificando, como se essa alarvidade tivesse desculpa, que “são os maiores a passar multas a velhinhas mas cagarolas e incompetentes no combate ao crime”.


Pois bem, pegando na deixa, vamos lá ver ao Google qual o peso de um "são todos uns filhos da puta", assim mesmo, entre aspas para não a puta não se descontextualizar dos filhos. Resultado: 4.120 resultados (0,25 segundos). Já a questão alternativa "são todos uns grandes filhos da puta" tem menos peso e o Google apresenta apenas 45 resultados, o que nos faz crer que neste caso é irrelevante o tamanho de um filho da puta.


Para terminar este nosso eloquente exercício, por uma leitura na diagonal, constata-se que este singular tratamento ou impropério, bem português, é utilizado sobretudo no contexto da bola, ou do futebol, se preferirmos.


O Google para além de tudo, é um bom ajudante nestes exercícios e diz-nos aquilo que nós dizemos, sem papas na língua.

 

- Rui Santos Sá

O que o mundo come…

 

Num curioso trabalho do fotógrafo Peter Menzel para o livro  "Hungry Planet" divulgado em parte pelo TIMES,  são apresentadas diversas famílias de diferentes países e com alguns dados do que estas consomem em média em comida durante uma semana.

O trabalho apresenta fotografias com as diferentes famílias reunidas à volta dos produtos alimentares necessários à preparação das refeições.

Claro está que este trabalho vale o que vale, mas serve para ilustrar algumas realidades e diferenças entre países mais desenvolvidos e alguns países pobres.

Interessante a forma mas desagradável a conclusão. Não deixe de ver.

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- Daniela Souto

Dúvidas existenciais

 

Às clássicas questões, o quê, quem, onde, quando, como, porquê, o Google vai mais longe e avança, de forma mais completa, as verdeiras questões ou dúvidas existênciais colocadas pelos utilizadores de língua portuguesa.

São certamente dúvidas existênciais, e, pelos vistos, muito generalizadas, ou à questão existencialista de “como fazer um broche”, ou “como se faz um broche”, o Google não reportasse resultados de 121.000 e 270.000, respectivamente, mesmo dando de barato que nesse tão grande número possa haver mesmo uma dúzia de interessados em saber como fazer o broche enquanto clássica peça de ourivesaria. É mesmo muita gente a querer e a não saber como fazer um broche, o que não deixa de ser preocupante. Por sua vez, a variante oposta, “como fazer um minete”, também é questão existencial para 8.950 almas, o que de forma ligeira revela que os homens são menos ignorantes.

Outras dúvidas existênciais, por exemplo “como engravidar”, ainda revela a ignorância a 801.000 pessoas.

Entre outras dúvidas tão existenciais quanto curiosas, a que de facto parece preocupar mais gente, e não é caso para menos, é a questão “quando acaba o mundo”, que colhe 37.000.000 (37 milhões) de resultados, “quando é que o mundo vai acabar”, 1.880.000, “, quando vai acabar o mundo”, 3.860.000, números muito mais preocupantes que o resultado da questão individualista “quando vou morrer", com 1.480.000.

A forma como as pessoas colocam as questões e como o Google as exibe, não deixa de ser um case study. Particularidades deste mundo de gente que anda pela internet, mesmo que a questão “o que é a internet” ainda seja dúvida para 29.700.000.

 

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- Adriano Fonseca

Quem foi que disse que tínhamos o direito à indignação?

 

 

“ Opinião:

Comecei a ler este livro ontem de manhã e acabei hoje de manhã.

Não é um romance, nem o relato de uma investigação, muito menos é um policial. É sim, um grito de indignação de alguém que se sente injustiçado, amordaçado, privado da sua liberdade sem estar preso, porque pior que a prisão física é a prisão que restringe, ou pretende restrigir a liberdade de pensamento e de expressão.

O livro de Gonçalo Amaral, "Maddie - A Verdade da Mentira" foi proibido e consequentemente retirado de venda, na sequência de uma providência cautelar aceite por um Tribunal português. Logo na altura divulguei aqui a notícia e manifestei a minha indignação.

Neste novo livro, Gonçalo Amaral manifesta o seu sentimento de injustiça e sente-se, ao longo das páginas, a sua profunda desilusão com os princípios que defendeu e com a instituição que representou em quase três décadas. É triste, mas é bem verdade. “

 

fonte e resto da opinião: Conta-me histórias

 

- Luis Gama

Twitter, uma inutilidade merdosa

 

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Depois da pseudo-polémica do artigo de José Pacheco Pereira sobre o Twitter e as reacções que gerou, eu também tenho direito à minha opinião e pouco me importa se será ou não polémica, mas talvez não, porque  por enquanto, ainda não tenho a notoriedade de JPP nem a almejo obter por o criticar, até porque este simples bitaite nunca será aproveitado pelo Público. O que eu queria dizer é que acho o Twitter uma inutilidade merdosa. Pronto, é só isso!

RSS

 

Outros artigos, relacionados ou nem por isso:

Uma inutilidade chamada Twitter
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Saramaguices

 

jose saramago saramago teknomatika

Ainda  a propósito da telenovela despoletada pelas considerações pouco abonatórias de José Saramago para com a Bíblia, o país vai ter hoje um debate entre o Prémio Nobel da Literatura e o Padre Carreira das Neves, teólogo e estudioso da Bíblia. Será na SIC e SIC Notícias, a partir das 21:30 horas.

"Saramago é um Gato Fedorento a brincar com a Bíblia", realçou Carreira das Neves, que falava à margem do colóquio "As artes da Bíblia", que decorreu em Lisboa.

Depois desta humorística mas infeliz apreciação de Carreira das Neves, tudo indica que vamos ter assim uma espécie de dois gatos pingados a esmiuçarem a Bíblia,  a ver quem desenrola melhor o seu novelo de malha.

Penso que não seria preciso chegar a tanto porque bem sabemos que no final do debate as coisas vão ficar como estão: Saramago a defender um chorrilho de apreciações ingénuas e provocadoras quanto à Bíblia, e Carreira das Neves a puxar pelos seus conhecimentos a defender o contrário. No final vão ficar todos emaranhados nos novelos que desfiarem. Quanto a vencedores, ganhará Saramago porque isso reflectir-se-á sempre nas vendas dos seus livros. É uma publicidade para a qual não gasta um centavo para além das eventuais corridas de taxi entre as estações das diversas televisões.

Entretanto, pelo meio, no grosso das declarações de quem defende Saramago, penso que se tem tentado desviar algumas ideias base da polémica. Esta resultou essencialmente das declarações de Saramago e não quanto à apreciação do livro “Cain”. Tanto o editor quanto Saramago, têm criticado quem critica sem ter lido o livro. Ora o que tem estado em discussão não é o livro mas sim as tais declarações provocatórias que foram proferidas em momentos diferentes. Pretendem assim “virar o bico ao prego”.

Achei também curiosa a defesa de Saramago quando o questionaram se continuava a ser português. Como se Portugal de um clube se tratasse, o escritor argumentou que tinha as “cotas” em dia do seu “camarote” que tinha na cidade. É claro que Saramago continua a ser um português legítimo, porque paga os seus impostos, mesmo que viva em Espanha e mesmo que por ele Portugal pudesse ser uma província espanhola a oeste de Badajoz. Quanto a isto nada a questionar. Se o Nobel paga as cotas tem direito a assistir aos jogos no seu camarote assim como tem direito de vir cá com a sua funda, tipo David, a acertar com o seixo nos tomates do gigante Golias da Igreja.

Como de costume, estou certo que os mais interessados pelo debate, e até por esta questão, serão aqueles que se assumem como ateus, descrentes ou agnósticos. São estados de respeitar, mas, como habitualmente, estes vão continuar preocupados por algo que proclamam não acreditar. A estes não lhes basta não acreditar mas sobretudo contrariar quem acredita. São assim uma espécie de missionários da descrença militante.

Por aqui, a não ser que se justifique, o assunto está encerrado. Saramago limitou-se a ser ele próprio, porque sabe que o que disse provoca polémica porque sabe quem pretendeu provocar. É verdade que usou do seu direito de liberdade de expressão mas também sabe que a mesma foi dirigida a uma comunidade de milhões de pessoas.

Manuel Alegre também veio defender Saramago. Gosto de Alegre e da sua obra e escrita, mas penso que não tem muita razão. Primeiro porque Saramago não precisa que o defendam já que provou que tem boas armas de arremesso; Quanto ao invocar que Saramago está a ser alvo de preconceitos esqueceu-se que tem sido o próprio Saramago a ser preconceituoso para com a Igreja em diferentes momentos. O episódio de que agora se fala é apenas mais um.

Alegre diz ainda que Portugal não perdoa a “grandeza e aqueles que distinguem”. Alegre esquece-se que essa “grandeza” é bonita e sublime mas que deve comportar um sentido de tolerância e respeito que Saramago não tem sabido ter. Admito a intolerância da Igreja em muitas questões, mas para a criticar e combater não se vai lá com episódios e lutas baseada nesse mesma intolerância.

Entretanto já consegui ler alguns parágrafos de “Cain”. Nada de mais, para além de ser uma leitura intragável sob um ponto de vista estrutural. Pareceu-me um leite-creme já azedado, excessivamente polvilhado de vírgulas sem sabor a canela. Aliás, as vírgulas estão para a escrita de Saramago como aqueles irritantes semáforos de controlo de velocidade nas nossas estradas nacionais. É uma escrita para ler em slow-motion sob pena de nada se perceber do que o homem de Lanzarate pretende dizer. 

JC

Saramago - O exercício da banalidade

 

jose saramago saramago teknomatika

O que me espanta não é o ateísmo militante de Saramago, uma ateísmo que roça o proselitismo. É um direito seu exactamente igual ao dos crentes  militantes e proselitistas. O que me acaba sempre por desapontar é a banalidade dos ataques à religião, a incompreensão do fenómeno e das raízes racionais que estão presentes na ideia de Deus. Compreender a religião e a ideia de Deus não implica acreditar ou não nelas, mas tentar uma aproximação racional ao fenómeno religioso. O que está muito longe de acontecer com Saramago, como se prova por isto: «O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!» Isto está ao nível das crises religiosas da adolescência.

fonte: A ver o mundo

Concordo no geral com esta opinião.  Já o disse aqui, que não gosto particularmente da escrita de Saramago, embora reconheça a sua importância no contexto da literatura portuguesa. Todavia, Saramago é recorrente neste tipo de recalcamentos e confrontos com a religião e de modo especial contra a igreja católica. Mas, aparte o respeito que as suas opiniões merecem, parece que Saramago continua a precisar destes confrontos e da polémica que eles geram para o sucesso de grande parte dos seus livros. À falta de melhor, o exilado de Lanzarote pega em temas da religião, cometendo o mesmo pecado da tentação de inúmeros autores ligados às artes. A religião, pela importância intrínseca para milhões de pessoas, é sempre um tema forte e fácil de pegar. Saramago é assim uma espécie de Dan Brown no seu pior.

Saramago, na sua entrevista ao público, apresenta novamente um chorrilho de banalidades. É claro que a Bíblia tem a importância que tem e não é o facto de ser considerada sagrada ou de inspiração divina que molda a concepção de quem é religioso e vive a religião. A Bíblia, apesar do significado que comporta, é, porventura, a parte menos importante e significativa da religião, nomeadamente na católica, já que assenta sobretudo no novo testamento e nos ensinamentos baseados no amor e respeito ao próximo. Daí que se compreenda que Saramago diga que espera uma maior contestação por parte dos Judeus.

Por conseguinte, as questões e as dúvidas que Saramago lança, são legítimas mas banais e próprias de um puto adolescente confrontado com a chatice de ser obrigado a ir à missa. Eu tive essas dúvidas, ou até certezas, aos 14 ou 15 anos. Saramago expressou-as agora, quase aos 90 anos. Eu, porém, continuo a ter necessidade de uma religião e continuo a ter dúvidas e quanto mais dúvidas tenho mais necessidade sinto, mas essa é uma batalha minha, pessoal. A luta do José da Azinhaga é pessoal mas colectiva e militante ou não estivesse toda a sua obra impregnada desta sua ideologia e da visão ingénua que consegue vislumbrar na Bíblia. Não conseguiu compreender que os textos bíblicos reflectem apenas a crueldade do mundo e da luta constante do bem contra o mal. Considerá-la um manual de maus costumes é tão ligeiro como considerar a sua obra literatura de cordel.

Afinal a religião é isso mesmo, o acreditar no impossível, no inatingível e que implica uma fé que não se explica nem se compreende. Se a religião, qualquer uma delas, fosse assim, tão palpável, tão lógica e tão à medida das conclusões banais de Saramago, e se a Bíblia ou o Corão fossem uma espécie de Código Civil ou Código Penal, certamente que seria uma coisa demasiado terrena para ser considerada. A necessidade do Homem para com a espiritualidade, para com o divino e o transcendente, remonta aos primeiros períodos da sua História e sempre se expressou de diferentes formas e por diferentes caminhos.  É pois, uma necessidade ou uma dependência que acompanhará sempre os nossos dias. Mas, Saramago, mesmo próximo do final lógico dos seus dias, ainda não compreendeu isso e continua a insistir nas suas banalidades para com a religião como se esse fosse o seu grande combate. Saramago é assim uma espécie de adepto portista, carregado de troféus e êxitos mas com uma necessidade doentia de fazer desacreditar o Benfica e os seus adeptos, porque, no fundo, continua a temer a sua grandiosidade.

À porta da taberna da Ramos Pinto

 

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Ao aceder ao sítio da Ramos Pinto, uma antiga casa produtora de Vinho do Porto, não deixei de achar curiosa a ferramenta de verificação de idade já que, a entrada só é permitida a pessoas com idade legal para consumir álcool, de acordo com as regras vigentes nos diferentes países onde o visitante se encontre.
NO caso de Portugal, o visitante só consegue aceder se clicar no ano de 1991, portanto num suposto de que a idade legal para se poder emborcar umas bejecas ou um vintage do Porto será 18 anos. Ora, quanto julgo saber, a idade em vigor ainda é os 16 anos.


Bom, não me dei ao trabalho de verificar as idades em países tão improváveis como o Lesoto, a Samoa, Chipre ou as Ilhas Salomão, mas aparentemente calibraram o acesso pelo 18 anos. Por outro lado, se de Portugal, não deixam entrar um jovem de 16 anos, quando o poderia fazer legalmente, mas deixaram-me entrar como um velhinho de 109 anos. Sem dúvida de maior idade, mas possivelmente a precisar de ajuda para levantar o copo.


A curiosidade desta espécie de barreira de entrada, acaba até por ser caricata pois o sítio da Ramos Pinto é tudo menos uma taberna ou bar nocturno onde se possa enfrascar umas valentes garrafadas ou uns potentes shots.


Por outro lado, não deixa de ser irónico que qualquer criança da escola primária consiga entrar pela porta da frente na maioria dos dos sítios de pornografia e sexo explícito e que se bater à campaínha da Ramos Pinto tenha que fazer o teste de idade.


Por vezes, ou quase sempre, a Internet é um mundo hilariante.


Juro que não estou com os copos.

Blogosfera – Um mundo de abelhas, moscas e varejeiras – Episódio 3/3

 

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1º Episódio

2º Episódio

 

Neste ambiente de selecção natural, de favores mútuos, reciprocidade ou mutualismno, como um pé-de-feijão enrolado a um pé-de-milho, ou um Buphagus no lombo de um búfalo africano, determinados blogs vão cimentando um conjunto de comentadores habituais que afinam pelo mesmo diapasão do blogger proprietário. Gera-se assim um círculo de amigos que raramente estão contra as ideias da casa, portando-se até como um exército de diligentes abelhas guerreiras dispostas a defender a obtusa abelha raínha contra os intrusos, moscas, varejeiras, vespas ou até mesmo abelhas levezinhas e dóceis que apenas pretendem comentar em liberdade de expressão mas de forma desafinada.

Com todos estes ciclos e círculos viciosos, os comentários nos blogs acabam por ser aquilo que o blogger quer que sejam, ou seja, uma oração mais ou menos profunda mas que termine sempre num monocórdico Amém (assim seja). Não há lugar à crítica contundente mas apenas à bajulação, ao “yes man”, ao "porreiro pá", mesmo que em frases curtas e ocas, como "interessante", "fantástico",  “extra-ordinário”, "concordo",  "lindo",  “deves publicar um livro”, “és o maior”, etc, etc.

Milhentos blogs bem iluminados, tidos como referências, inicialmente espaços abertos às divergências e convergências, tornaram-se assim em reuniões de chã, em sítios de masturbação intelectual. Muitos deles deixei de visitar e comentar; Era chover no molhado. Outros, continuo a visitar mas agora apenas para espreitar essas rodas de amigalhaços, mas na expectativa de ver se há alguém a desafinar e qual a reacção da colmeia.


Deste modo, mesmo perante alguns debates sobre a questão da importância ou não da abertura de comentários nos blogs, filtrados, barrados ou moderados, acaba por ser uma discussão igualmente sem sexo nem nexo.

Cada qual que faça como bem entender. Admito que há blogs cuja sobrevivência, financeira. nalguns casos. e intelectual noutros,  depende totalmente dessa energia, mas, verdade se diga, embora os comentários sejam uma das características que definem e caracterizam os blogs relativamente a outros conceitos de páginas e conteúdos nesse universo da internet, pela interactividade ou dinâmica que podem suscitar e gerar, são em si próprios uma doença que enferma a vitalidade de grande parte dos órgão dessa blogosfera. E porquê? Porque, admitamos, na realidade ninguém gosta de receber críticas, contradições e correcções, mesmo que feitas de forma fundada e respeitosa. A liberdade de expressão é assim apenas uma quimera blogosférica. A maior parte dos bloggers, especialmente os iluminados, porque não gostam de abandonar a tranquilidade do seu mar, do seu poiso lunático, da sua notoriedade e predominância, continuam a preferir usar os seus lapisinhos azuis, os seus mecanismos de defesa, as suas firewalls, os seus anti-trolls como um preservativo contra infecções e gonorréias de visitantes promíscuos. Afinal, dizem, esta é a minha casa, eu digo o que me apetece, só cá entre quem eu quero e merece, ou faz por merecer.

Assim, de um modo geral, esses blogs seleccionam a sua clientela como os seguranças de uma discoteca chique, que não permitem que  algum borra-botas entre de mangas cavas, chinelos e palito nos dentes, a não ser que seja um conhecido jogador de futebol ou do jet7.

Por tudo isto, e porque esta reflexão já vai longa, a blogosfera é em tudo um mundo semelhante à vida real, repleta de classes e cagança. Um mundo de vaidades e de segmentos.

É assim a blogosfera; Democrática mas só na medida do conveniente. Aprendemos uns com os outros. Eu pecador me confesso.

Blogosfera – Um mundo de abelhas, moscas e varejeiras – Episódio 2/3

 

moscas teknomatika

Blogosfera – Um mundo de abelhas, moscas e varejeiras – Episódio 1/3

Em todo este contexto, quase espacial, temos assim uma blogosfera de classes; a alta, a média e a baixa. Tal como nas classes da nossa sociedade, os mais pobres aspiram a pertencer aos mais ricos e os mais ricos precisam dos mais pobres para manter a predominância, o poder, a luminosidade. Não admira, por isso, que por vezes, para ascender a essa vida, se façam uns gamanços, uns plágios, umas “expropriações” de uns textos, artigos ou imagens, umas transcrições, umas citações, umas referências, para, à custa disso, se conseguir obter um pouco dessa energia quimérica e blogosférica. Por vezes resulta e basta uma referência ou um link dos iluminados para trazer um blog do lado negro para a ribalta da zona iluminada, podendo mesmo vir a ser “contratado” para algum portal importante com todas as mordomias . Esses são os eleitos, uma espécie de bafejados pelo Euromilhões. Outros, porém, já se remedeiam em crateras mais amplas da classe média, mesmo que apenas para uma zona humilde no limiar da  penumbra ou do lusco-fusco lunar.

Por mim confesso, tenho alguns, poucos, blogs sediados nessa zona oculta, nesse lado bolarento e negro, paredes meias com blogs especialistas em gajas e pornografia, ou numa espécie de apartamento de habitação social onde por baixo vive um blog de tunning e por cima um blog que colecciona contos eróticos e carteiras de açúcar.
Com uma vizinhança destas,  admito que tão cedo os meus blogs não saírão desta escuridão lamacenta por mais que frequente escolas de “Como ganhar dinheiro na Internet” ou “Como ter um blog de sucesso” ou ainda “Como ter uma catrefada de seguidores”.


Não é de admirar, pois,  que nesta blogosfera os bloggers sejam assim uma espécie de astronautas ou para-quedistas que vão aterrando de blog em blog como a abelha Maia de flor em flor ou como moscas ou varejeiras de poia em poia. É claro que será sempre preferível um blog ser visitado pela leveza das abelhas Maias do que pela moscaria habituada a poisar sabe-se lá onde. As abelhas são especialistas em roubar o pólem mas fazem-no de uma forma subtil e doce, persistentes no seu vai-e-vem da sua tarefa colectora. Já as moscas, essas badalhocas, são isso mesmo, porcas e nojentas que para além de sugarem, normalmente deixam  rastos de cagada que encaminham ou direccionam para os seus estaminés.

Ora na blogosfera os blogs iluminados precisam destes visitantes mas, obviamente preferem os do tipo abelhas já que roubam sempre qualquer coisa, é certo, mas ajudam o contador das visitas, a lista de comentários e vão ajudando na polinização, isto é, na divulgação e notoriedade do sítio e do autor. Já as visitas do tipo moscas são consideradas pelos iluminados os inconvenientes ou os trolls. Estes podem ser trollerados mas só dentro do aceitável. Quando mordem e cagam demais, são avisados, combatidos com sistemas de moderação, pré-registo, login e outros mecanismos anti troll.

 

(continua no próximo Nº)

Blogosfera – Um mundo de abelhas, moscas e varejeiras – Episódio 1/3

 

abelha maia teknomatika

A blogosfera portuguesa é um mundo distinto dentro do universo da internet. Estará assim para esta como a Lua para a Terra, com uma face iluminada e outra face que nunca se revela. Hora a hora, dia a dia, lá vai fazendo o seu movimento de rotação presa à sua força gravitacional.


Na face iluminada habitam os iluminados blogs com bases alimentadas a uma energia chamada notoriedade, composta por fluxos medidos por um contador de visitas, número de comentários, page ranks, page views, autoritys e outras. Esses blogs iluminados, comandados por bloggers igualmente iluminados, normalmente estão localizados numa espécie de mar da Tranquilidade, plano e vistoso, quase visível a olho-nú, e que salta à vista no Google, uma espécie de telescópio Hublle da blogosfera. Estes blogs precisam uns dos outros e normalmente exibem um mapa astral com as diferentes conexões, os links, uma espécie de botões que accionam os tele-transportadores de uma dimensão para outra. Esses blogs, de gente mais ou menos importante, tratam de assuntos importantes, a condizer. Quase sempre são blogs políticos, de políticos, jornalistas, pensadores, cinéfilos, melómanos e outras áreas que determinam os padrões e conceitos da cultura e das artes. Têm gostos selectivos, são sumidades nas suas áreas e abominam a vulgaridade das maiorias. São, afinal, os bloggers iluminados, os que aparecem no tops e até são mencionados nos media.


Em contrapartida, no lado escuro ou negro desta lua chamada blogosfera, habitam os deserdados do mar da Tranquilidade, obrigados a ocupar crateras e zonas montanhosas nada apetecíveis, numa espécie de bairros de lata. Por ali sobrevive toda a espécie de blogs, desde os da pior espécie, como os de pornografia, gajas nuas, torrents, downloads ilegais, poias, hackers, etc, até aos blogs terra-a-terra, que nos falam de si próprios, da família e dos vizinhos, das suas aldeias, de futebol nacional e distrital, bricolage, artes decorativas, découpage, craquelé,  escola, plantas, remédios caseiros, animais, cães, gatos e periquitos, cromos, gifs animados e até de sanitas, frigoríficos, umbigos, etc, etc. Blogs e bloggers porreiros, é certo,  mas que sobrevivem à luz da vela ou de candeeiros de carboneto, sem possibilidades de acederem à tal energia cósmica dos blogs iluminados do mar da Tranquilidade. São assim uma espécie de famílias problemáticas ou desestruturadas, que vão fazendo umas coisas engraçadas mas à custa de expedientes, comparáveis a rendimentos mínimos ou pensões de sobrevivência. 


(continua no próximo Nº)

Adoro estes domingos de sufrágios

 

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Adoro estes domingos de sufrágios, esmiuçados ou não, principalmente quando só perto das 21:00 horas nos apercebemos que afinal foi mesmo um dia de eleições.
É claro que, por opção, fui um dos quase três milhões de portugueses que se cagaram para os nossos políticos e as suas políticas e limparam o cu ao papel absorvente da indiferença.

Quando pelas 20:00 horas as televisões supostamente estariam a avançar com as primeiras projecções eu estava muito bem entretido a ver a dose dupla de The Simpsons, na RTP2. Antes estivera a ver a Alma e a Gente, com o velhinho professor José Hermano Saraiva num programa no Museu Nacional de Arqueologia, mostrando-nos uns graníticos chefes lusitanos, diferenciados pelo porte e pelos torques nos pescoços.


Finalmente, já por volta das 21:00, é que caí na realidade quando desci ao inferno, com um saltinho à RTP para, entre uma confusão de painéis touchscreen, ver e ouvir os pivots a darem as notícias e a mostrarem as reacções onde, como de costume, toda a gente vai ganhar e ficar satisfeita.
Resumindo, e daí a minha indiferença ao dia e ao acto, vai continuar mais do mesmo: Crise, desemprego, insegurança, crispação social, etc, etc, etc.


Confesso-vos que é muito fixe passar este dia a ignorar toda aquela malta. É como ter sido levado à força para um espectáculo do Tony Carreira mas ter a sorte de  passar a noite a dormir como um anjinho. É aquela sensação de conforto quando cá fora a a chuva e a tempestade fustigam a vidraça da janela mas cá dentro estamos de pantufas aninhados no sofá a ver um bom jogo de futebol, sem Duartes Gomes enquanto crepita uma boa fogueira na lareira.

É por estas e por outras que adoro os domingos de sufrágios. Felizmente, daqui a 15 dias vamos ter mais um desses belos dias e com sorte, daqui a um ou dois anos lá teremos mais umas legislativas, antecipadas, claro. Espero que numa e noutra altura os The Simpsons não falhem, pois será sempre mais divertido ver o Mr. Burns do que o Sócrates, a Selma Bouvier do que a Ferreira Leite, o Ned Flanders do que o Portas, o palhaço Krusty do que o Louçã ou o Moe do que o Jerónimo.

Amanhã é outro dia e o Sócrates vai continuar a ser o nosso chefe lusitano, mesmo que sem o torque no pescoço. Nós, os outros, é que vamos continuar com os mesmos problemas de sempre, entalados até ao pescoço.

A nossa melhor atitude é sermos uma espécie de Homer Simpson, que está sempre satisfeito desde que não lhe faltem os donuts e muita cerveja.

Adoro estes domingos de sufrágios.

As praxes académicas, coisas de grunhos armados ao pingarelho

 

Estamos já em pleno tempo do início das aulas nos diversos estabelecimentos escolares deste país, nomeadamente nas Universdades. Nestas são milhares de estudantes que pela primeira vez (os caloiros) vão entrar nesta importante etapa chamada Ensino Superior, supostamente a última antes da entrada no mundo do trabalho. Sabemos que a realidade é bem diferente e a um grande número destes estudantes, quando daqui a meia-dúzia de anos estiverem licenciados, espera-os um mercado de trabalho repleto de desemprego e precaridade onde, de certeza absoluta, não vão encontrar saídas na sua área, na medida do seu (dos pais) investimento académico. Com um pouco de sorte serão encaixados como caixas de supermercados ou a fazer uns biscates temporários em funções menores. É esta a realidade do nosso Ensino Superior: Alimentar um desemprego qualificado.


Com o arranque das aulas para milhares de caloiros, começa também uma das coisas mais estúpidas e sem sentido que é a treta das praxes, um conjunto de procedimentos onde algumas equipas de grunhos armados ao pingarelho usam e abusam de supostas tradições académicas para, igualmente usarem e abusarem de pessoas, física e psicologicamente. Não se compreende que um Governo dito progressista, que legitima o aborto e pretende legitimar o casamento homossexual, ainda não tenha tido a coragem de erradicar de vez com estes procedimentos inquisitórios perpretados por grupos de grunhos e marginais. Estes praxantes na generalidade são pessoas que fazem da sua permanência nas Universidades um modo de vida prolongado e alimentado por papás endinheirados, metidos nos copos, com baixas notas e uma carrada de cadeiras por completar. São, regra geral, gente sem escrúpulos que teima em fazer a vida negra a quem pretende iniciar uma nova vida, já por si cheia de dificuldades. Por sua vez, as associações de estudantes quase sempre dominadas por grupinhos de interesses e preocupadas em meter a mão à massa dos caloiros, que arrebanham logo no dia das matrículas,  pactuam indiferentes com estas merdas, sem oferecer aos caloiros qualquer protecção.


Veja-se os últimos casos de puro abuso e humilhação de alguns estudantes, que chegaram já aos tribunais, merecendo até condenação. É certo que algumas reitorias, depois da carta ameaçadora do ministro Mariano Gago, em 2008, têm já tomado medidas para impedir certos abusos mas estes quase sempre continuam, se não nas instalações das faculdades, nas imediações.

O Governo e a sociedade em geral deveriam repudiar e terminar com estas palermices, com contornos de criminalidade, que por vezes levam a consequências dramáticas como depressões que põem em risco o percurso e sucesso escolar.
Dizem que essas merdas, esses procedimentos iniciáticos servem, afinal, para ajudar a integração dos caloiros Tretas. Se os querem ajudar nesse sentido e contexto, que comecem por os respeitar.

As praxes deveriam assim ser apenas baseadas no respeito e na entreajuda e partilha de conhecimentos e experiências e nunca em procedimentos humilhatórios,  desprestigiantes e lesivos,  próprios de anormais e deficientes, porque se há alunos mais fortes e que alinham nessas “brincadeiras” ou anormalidades, outros há que não aguentam tais pressões, indo-se abaixo, refugiando-se em choro e depressões, ficando desde logo traumatizados numa etapa de vida que deveria ser fundamental para o resto do crescimento e amadurecimento mas de forma saudável.

As próprias universidades, para além de meros despachos, que por vezes só servem para lhes limpar o cu, deveriam fazer valer o cumprimento das regras da anti-praxe e ela própria proteger quem se declara anti-praxe, não permitindo qualquer tipo de marginalização e ostracismo que conduzam a uma perda ou diminuição dos direitos plenos de estudantes, caloiros ou não. Quanto aos grunhos deveriam ser entregues à justiça e expulsos da Universidade.

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