“ICAP, trabalhamos por uma publicidade responsável” é a mensagem da campanha de publicidade do ICAP que teve início no passado dia 22 de Junho e que irá ser veiculada, numa primeira fase, nos meses de Julho, Agosto e Setembro.
A estratégia e a criatividade da campanha foram desenvolvidas pela TBWA Espanha para a AUTOCONTROL, entidade espanhola congénere do ICAP, sendo que a adaptação para Portugal ficou a cargo da TBWA Portugal.
fonte: ICAP
Esta campanha publicitária anda a passar na nossa televisão e coloca a todos uma grande questão: A quem interessa a publicidade?
Parece que nos querem fazer responder que interessa a todos. Todavia, o máximo que conseguem é um “Ide à merda!.
Esta questão soa-me a perguntas de adolescentes no consultório da revista Maria, do género: "fiz sexo oral, será que estou grávida?", ou então "apaixonei-me pela avõ da minha namorada". O que hei-de fazer? Sinceramente. Isto é pergunta que se faça? Melhor do que lançar essa espalhatafosa campanha, seria ir para a rua e fazer a pergunta directa e objectivamente. Os resultados seriam concretos e não abstractos.
Estes senhores querem-nos fazer crer que estão atentos aos exageros criativos dos nossos publicitários e que sempre que estes passam das medidas usam o "lápis azul" à boa maneira de antigamente. Num país do vale tudo e onde ninguém teme a justiça, seria interessante saber quais as consequências efectivas da tal auto-disciplina do ICAP. Depois, este conceito do “AUTO”, cheira-me a esforço inglório de alguém demasiado tímido para dar uma queca e que assim se AUTO-satisfaz masturbando-se.
Respondendo por mim, a actual publicidade, principalmente a que passa na televisão não interessa merda nenhuma. Por outras palavras, estou-me cagando para a maioria da publicidade que encharca as nossas televisões, incluindo o spot do ICAP.
A publicidade actual parece ser idealizada por idiotas porque se deduz que os produtos são dirigidos a idiotas. A publicidade actual, salvo poucos bons exemplos, é um autêntico atestado de menoridade aos consumidores.
Este próprio spot do ICAP é por si só um bom exemplo de uma má publicidade, repleta de um discurso AUTO-moralizador, fora de prazo e com um conceito muito mal conseguido. Quando vejo aqueles enormes outdoors plantados nas bermas das nossas estradas e nas entradas das nossas cidades e vilas, encontro imediatamente a resposta à tão sublime questão: A quem interessa a publicidade? Seguramente a ninguém, principalmente quado se traduz em lixo e em poluição sonora e visual. A melhor publicidade, a que efectivamente interessa aos consumidores é aquela objectiva, discreta, curta e eficaz. Já agora, honesta. Já agora em doses curtas porque, ainda num destes dias, creio que na SIC, no intervalo de um filmezeco num Domingo à tarde, passou um espaço publicitário de, seguramente, 20 minutos, e que interrompeu o filme precisamente numa das cenas cruciais.
Por tudo isto, agora pergunto eu: A quem interessa de facto esta publicidade bem como da forma em que é exibida? Tenho a certeza que interessa ao ICAP, pois, pela sua natureza, devem ser especialistas a AUTO-consumir publicidade incluindo as Tele-Vendas pela madrugada fora e os anúncios do Relax nos jornais. Cada um que responda por si mas, por mim, volto a dizer que interessa um caralho.