Adoro estes domingos de sufrágios, esmiuçados ou não, principalmente quando só perto das 21:00 horas nos apercebemos que afinal foi mesmo um dia de eleições.
É claro que, por opção, fui um dos quase três milhões de portugueses que se cagaram para os nossos políticos e as suas políticas e limparam o cu ao papel absorvente da indiferença.
Quando pelas 20:00 horas as televisões supostamente estariam a avançar com as primeiras projecções eu estava muito bem entretido a ver a dose dupla de The Simpsons, na RTP2. Antes estivera a ver a Alma e a Gente, com o velhinho professor José Hermano Saraiva num programa no Museu Nacional de Arqueologia, mostrando-nos uns graníticos chefes lusitanos, diferenciados pelo porte e pelos torques nos pescoços.
Finalmente, já por volta das 21:00, é que caí na realidade quando desci ao inferno, com um saltinho à RTP para, entre uma confusão de painéis touchscreen, ver e ouvir os pivots a darem as notícias e a mostrarem as reacções onde, como de costume, toda a gente vai ganhar e ficar satisfeita.
Resumindo, e daí a minha indiferença ao dia e ao acto, vai continuar mais do mesmo: Crise, desemprego, insegurança, crispação social, etc, etc, etc.
Confesso-vos que é muito fixe passar este dia a ignorar toda aquela malta. É como ter sido levado à força para um espectáculo do Tony Carreira mas ter a sorte de passar a noite a dormir como um anjinho. É aquela sensação de conforto quando cá fora a a chuva e a tempestade fustigam a vidraça da janela mas cá dentro estamos de pantufas aninhados no sofá a ver um bom jogo de futebol, sem Duartes Gomes enquanto crepita uma boa fogueira na lareira.
É por estas e por outras que adoro os domingos de sufrágios. Felizmente, daqui a 15 dias vamos ter mais um desses belos dias e com sorte, daqui a um ou dois anos lá teremos mais umas legislativas, antecipadas, claro. Espero que numa e noutra altura os The Simpsons não falhem, pois será sempre mais divertido ver o Mr. Burns do que o Sócrates, a Selma Bouvier do que a Ferreira Leite, o Ned Flanders do que o Portas, o palhaço Krusty do que o Louçã ou o Moe do que o Jerónimo.
Amanhã é outro dia e o Sócrates vai continuar a ser o nosso chefe lusitano, mesmo que sem o torque no pescoço. Nós, os outros, é que vamos continuar com os mesmos problemas de sempre, entalados até ao pescoço.
A nossa melhor atitude é sermos uma espécie de Homer Simpson, que está sempre satisfeito desde que não lhe faltem os donuts e muita cerveja.
Adoro estes domingos de sufrágios.