Saramago - O exercício da banalidade

 

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O que me espanta não é o ateísmo militante de Saramago, uma ateísmo que roça o proselitismo. É um direito seu exactamente igual ao dos crentes  militantes e proselitistas. O que me acaba sempre por desapontar é a banalidade dos ataques à religião, a incompreensão do fenómeno e das raízes racionais que estão presentes na ideia de Deus. Compreender a religião e a ideia de Deus não implica acreditar ou não nelas, mas tentar uma aproximação racional ao fenómeno religioso. O que está muito longe de acontecer com Saramago, como se prova por isto: «O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!» Isto está ao nível das crises religiosas da adolescência.

fonte: A ver o mundo

Concordo no geral com esta opinião.  Já o disse aqui, que não gosto particularmente da escrita de Saramago, embora reconheça a sua importância no contexto da literatura portuguesa. Todavia, Saramago é recorrente neste tipo de recalcamentos e confrontos com a religião e de modo especial contra a igreja católica. Mas, aparte o respeito que as suas opiniões merecem, parece que Saramago continua a precisar destes confrontos e da polémica que eles geram para o sucesso de grande parte dos seus livros. À falta de melhor, o exilado de Lanzarote pega em temas da religião, cometendo o mesmo pecado da tentação de inúmeros autores ligados às artes. A religião, pela importância intrínseca para milhões de pessoas, é sempre um tema forte e fácil de pegar. Saramago é assim uma espécie de Dan Brown no seu pior.

Saramago, na sua entrevista ao público, apresenta novamente um chorrilho de banalidades. É claro que a Bíblia tem a importância que tem e não é o facto de ser considerada sagrada ou de inspiração divina que molda a concepção de quem é religioso e vive a religião. A Bíblia, apesar do significado que comporta, é, porventura, a parte menos importante e significativa da religião, nomeadamente na católica, já que assenta sobretudo no novo testamento e nos ensinamentos baseados no amor e respeito ao próximo. Daí que se compreenda que Saramago diga que espera uma maior contestação por parte dos Judeus.

Por conseguinte, as questões e as dúvidas que Saramago lança, são legítimas mas banais e próprias de um puto adolescente confrontado com a chatice de ser obrigado a ir à missa. Eu tive essas dúvidas, ou até certezas, aos 14 ou 15 anos. Saramago expressou-as agora, quase aos 90 anos. Eu, porém, continuo a ter necessidade de uma religião e continuo a ter dúvidas e quanto mais dúvidas tenho mais necessidade sinto, mas essa é uma batalha minha, pessoal. A luta do José da Azinhaga é pessoal mas colectiva e militante ou não estivesse toda a sua obra impregnada desta sua ideologia e da visão ingénua que consegue vislumbrar na Bíblia. Não conseguiu compreender que os textos bíblicos reflectem apenas a crueldade do mundo e da luta constante do bem contra o mal. Considerá-la um manual de maus costumes é tão ligeiro como considerar a sua obra literatura de cordel.

Afinal a religião é isso mesmo, o acreditar no impossível, no inatingível e que implica uma fé que não se explica nem se compreende. Se a religião, qualquer uma delas, fosse assim, tão palpável, tão lógica e tão à medida das conclusões banais de Saramago, e se a Bíblia ou o Corão fossem uma espécie de Código Civil ou Código Penal, certamente que seria uma coisa demasiado terrena para ser considerada. A necessidade do Homem para com a espiritualidade, para com o divino e o transcendente, remonta aos primeiros períodos da sua História e sempre se expressou de diferentes formas e por diferentes caminhos.  É pois, uma necessidade ou uma dependência que acompanhará sempre os nossos dias. Mas, Saramago, mesmo próximo do final lógico dos seus dias, ainda não compreendeu isso e continua a insistir nas suas banalidades para com a religião como se esse fosse o seu grande combate. Saramago é assim uma espécie de adepto portista, carregado de troféus e êxitos mas com uma necessidade doentia de fazer desacreditar o Benfica e os seus adeptos, porque, no fundo, continua a temer a sua grandiosidade.

EU Bookshop Digital Library – 110 000 novos livros online

 

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A EU Bookshop Digital Library, que integra a Europeana, a livraria digital europeia, passa a dispor de mais de 110 mil novos títulos online.

À porta da taberna da Ramos Pinto

 

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Ao aceder ao sítio da Ramos Pinto, uma antiga casa produtora de Vinho do Porto, não deixei de achar curiosa a ferramenta de verificação de idade já que, a entrada só é permitida a pessoas com idade legal para consumir álcool, de acordo com as regras vigentes nos diferentes países onde o visitante se encontre.
NO caso de Portugal, o visitante só consegue aceder se clicar no ano de 1991, portanto num suposto de que a idade legal para se poder emborcar umas bejecas ou um vintage do Porto será 18 anos. Ora, quanto julgo saber, a idade em vigor ainda é os 16 anos.


Bom, não me dei ao trabalho de verificar as idades em países tão improváveis como o Lesoto, a Samoa, Chipre ou as Ilhas Salomão, mas aparentemente calibraram o acesso pelo 18 anos. Por outro lado, se de Portugal, não deixam entrar um jovem de 16 anos, quando o poderia fazer legalmente, mas deixaram-me entrar como um velhinho de 109 anos. Sem dúvida de maior idade, mas possivelmente a precisar de ajuda para levantar o copo.


A curiosidade desta espécie de barreira de entrada, acaba até por ser caricata pois o sítio da Ramos Pinto é tudo menos uma taberna ou bar nocturno onde se possa enfrascar umas valentes garrafadas ou uns potentes shots.


Por outro lado, não deixa de ser irónico que qualquer criança da escola primária consiga entrar pela porta da frente na maioria dos dos sítios de pornografia e sexo explícito e que se bater à campaínha da Ramos Pinto tenha que fazer o teste de idade.


Por vezes, ou quase sempre, a Internet é um mundo hilariante.


Juro que não estou com os copos.

20º Amadora BD

 

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A edição de 2009 do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora que, este ano, comemora vinte anos decorrerá entre os dias 23 de Outubro e 8 de Novembro, tendo como núcleo central, uma vez mais, o Forum Luís de Camões, na Brandoa.
Este ano, assinalamos, entre outras exposições, os 50 anos de Astérix, os 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa e homenageamos Vasco Granja e Héctor Germán Oesterheld.
As exposições, a presença de autores, a área comercial, o espaço infantil e as diversas actividades de animação fazem do Amadora BD a grande Festa da Banda Desenhada em Portugal.

fonte: http://www.amadorabd.com/

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