| (…) Com Manuel Alegre, podemos todos viver nas casinhas de palha que não há lobo mau que lhes chegue o fósforo. | | |
Da esquerda à direita a consideração que nutro pela maioria dos políticos é rigorosamente zero. Tenho dos políticos uma imagem de artistas bem falantes e exímios profissionais na defesa dos seus próprios interesses, diligentes a governarem-se a si próprios. OK, bem sabemos que há excepções mas esses ou essas só confirmam a regra.
Neste contexto depreciativo, que julgo corresponder ao que o grosso dos portugueses com alguma clarividência pensa, qualquer movimento ou acção vinda de um político mexe-me com as tripas e fico logo à rasquinha da barriga.
Tinha acontecido com o projecto de alteração da Constituição por Passos Coelho e aconteceu por estes dias com a tal carta da Edite Estrela, onde preocupadinha, como todas as tias da linha em fim-de-linha, avisa os militantes socialistas para os perigos do lobo mau Cavaco Silva poder vir a papar as capuchinhas vermelhas e os seus lanchinhos. Também Manuel Alegre, os das trovas ao vento, descambou novamente no lombo magro do lobão Cavaco Silva e jurou aos quatro-ventos defender este nosso belo estado social, tendencialmente amigo dos pobrezinhos que levam a vida a coçar os tomates e as esquinas dos bairros sociais. Com Manuel Alegre, podemos todos viver nas casinhas de palha que não há lobo mau que lhes chegue o fósforo. Se algo correr mal, iremos todos viver para a casinha de pedra dos socialistas, à prova de lobo mau vestido de direita.
Eu que, pelos argumentos gerais acima invocados, nem gosto do lobo-mau do Cavaco Silva, acho que ele teve razão ao desculpar-se como sendo um lobo-mauzinho mas suficientemente educado para não responder à carta da Edite Estrela. Penso que se ele não fosse educado e fosse mesmo mauzão teria dito a Edite Estrela, em bom português: - Vá à merda! Mas não disse e isso tranformou-se agora num tabú e os média distraiem-se agora a supor e a pressupor o que é que Cavaco poderia realmente querer dizer à Estrela.
Mas quem é esta senhora, que já teve melhores dias, nomeadamente quando num sorriso plástico nos dava lições de bom português, para se preocupar assim com quem, apesar de tudo, entre um veto ou uma promulgação, exerce um papel de raínha de Inglaterra, visitando, inaugurando e pouco mais? Não será mais lógico e consentâneo com a realidade que nos avisasse dos perigos do desGoverno do seu amigo engenheiro dominical Sócrates e seus camaradas? É preciso ter lata, ó Edite!
Quanto a Alegre, é uma tristeza que entre no discurso típico do menino mau da turma "se eu for...se for eu…comigo isto há-de ser assim, comigo isto há-de ser assado. Ou seja, Alegre quer fazer-nos pensar e mesmo garantir que se ele for presidente podemos estar descansados que neste país nunca ninguém será pobre, nunca niguém deixará de ter saúde e educação, tendencialmente de borla, tendencialmente à custa dos poucos que realmente trabalham neste país de faz-de-conta.
É claro que não me agrada que Cavaco Silva volte a ser presidente, mas era bem feito que o homem os mandasse todos às malvas, ou mesmo à merda, e assim cairiam no ridículo de estarem a falar para o boneco. Resumindo, é patético que se lavrem missivas, profiram discursos, definam-se estratégias e tudo baseado em cenários hipotéticos, por mais plausíveis que sejam porque, admita-se, o homem ainda não anunciou coisa nenhuma. Não há pachorra para estes políticos e o pior é que tudo isto é poeira para disfarçar o real estado da nação porque no fundo, com Alegre ou com Cavaco, vai continuar tudo atolado no lodo.
Vão mas é trabalhar.Todos! Da esquerda à direita e deixem-se de merdas!
- Rui Santos Sá