Já escrevi por aqui, a minha visão acerca do Twitter, que considero uma fantástica inutilidade, opinião que reforço passado o tempo sobre a primeira impressão.
Quanto ao Facebook, naturalmente é outra inutilidade e que, sinceramente, o seu sucesso global só pode ser medido e compreendido pelo tamanho da própria inutilidade. E isto é tanto mais perceptível na medida em que existem várias ferramentas onde se podem cumprir os mesmos pressupostos com uma maior produndidade e controlo e sem perda da interligação ou interactividade com os verdadeiros amigos.
A título experimental, numa espécie de case study, tenho tido desde há algum tempo uma conta no Facebook onde apenas à custa de aceitação de convites, tenho já uma comunidade superior e 5000 "amigos". Resumindo, 5 milhares de avatars que eu não conheço de lado nenhum, com os quais nunca falei de futebol, nem bebi um cervejola nem partilhei anedotas nem falei de gajas nem de gatos ou vinhos. Contudo, toda essa enorme quantidade de gente "amiga", viu em mim, um mero e inútil desconhecido, potencialidades para ser seu "amigo". As nossas "profundas" relações têm subsistido nuns igualmente profundos "gosto", gosto disto, gosto daquilo, gosto daqueloutro. Pouco mais que uns monocórdicos monossílabos.
Não surpreende assim, onde reside a essência do sucesso mundial do Facebook que é precisamente no conceito ligeiro e deturpado com que nas actuais sociedades etiquetamos o valor da palavra amigo ou amizade, pelo que o sucesso nessa rede social residirá nos números e não nas pessoas. Já era um pouco assim, mas com o Facebook, as pessoas tornaram-se definitivamente em números mascarados por um avatar.
Admite-se que o Facebook seja efectivamente usado de forma positiva por muita gente, nomeadamente em círculos de pessoas que realmente se conhecem, mas esse tipo de usufruto pleno será uma ínfima percentagem à escala mundial. No restante, na nossa carteira de amizades facebookianas até poderíamos ter amigos do reino animal, vegetal ou mineral, que a profundidade e interacção seria a mesma e com a mesma substância.
O Facebook é assim uma espécie de barómetro da imbecilidade planetária, uma espécie de montanha prenha que cada vez vai parindo mais ratinhos, um balão enorme e colorido mas que lá dentro tem pouco mais que ar, quando muito uns confetis para darem um ar festivo ao vazio.
Um destes dias, passando na baixa de uma qualquer cidade, dei de caras com um entre vários "sem abrigo" e não deixei de pensar: -Pobre homem, bastar-lhe-ía um computador, uma ligação à internet e uma conta no Facebook, para, num abrir e fechar de olhos, ter um milhar de amigos. Pura ilusão, mesmo tendo um belo avatar, o seu principal amigo ou amiga, continuaria, porventura, a ser o seu cobertor coçado e a sua caixa de cartão, quiçá uma Facebox. Por isso, mais milhar menos milhar, as contas no complexo universo da rede social continuam a ser buracos negros atraíndo com a sua força gravitacional até a própria luz dos poucos corpos que ainda a irradiam.
- Rui Santos Sá