No próximo dia 23 de Janeiro, terão lugar as eleições Presidenciais 2011, das quais sairá o próximo presidente da república portuguesa para os próximos 5 anos.
Tal como em 2006, vou primar pela ausência. Tenho pena que não seja Verão para aproveitar uma tarde de sol e praia.
Mesmo assim, perante esta indiferença geral que me merece a classe política nacional, não deixo de registar algumas constatações:
- Apesar de José Coelho aparecer debaixo da capa do PND, são 5 candidatos ditos de esquerda contra um único candidato dito de centro-direita;
- Por conseguinte, temos uma luta desigual e desproporcional e Cavaco tem que se haver com todos e tem sabido mostrar que é algarvio e sabe dançar o corridinho;
- Todos os candidatos falam como se de cada um deles dependa o rumo e futuro do país, quando na realidade espera-lhes um papel de bibelot, de corta-fitas;
- Pelas campanhas, se em Portugal aterrar um marciano e ver e ouvir o tempo de antena, ficará com a sensação de que afinal Cavaco Silva é o responsável pela crise e pela má governação socialista que atola e afunda o país;
- De um presidente espera-se que o seja de todos os portugueses. Todavia, Manuel Alegre, partidariza e torna esta eleição ideológica e sectorial. Apela à mobilização da esquerda contra a direita. Logo, será sempre um presidente sectorial, radical, até. Vai mais longe e diz que será perigosa a concentração de poder numa área política (desde que não seja da esquerda, claro). Por este radicalismo, não estou a ver que mantenha a simpatia que colheu em 2006 mesmo contra o PS e contra Soares. Alegre vai tendo o apoio oficial do PS, e o envolvimento das figuras gradas da nação da rosa na campanha do poeta vai-se reforçar durante a última semana da campanha (espera-se Sócrates lá mais para o climax) porque apesar de tudo o sapo e a afronta de há 5 anos já foi engolido e quando muito apenas faltará deglutir umas pontas do bicho;
- Fernando Nobre, de todos aparentava ser o mais independente e o mais inovador, mas tem-se-lhe fugido o pé para o carreiro escorregadio do ataque despropositado, essencialmente contra Cavaco, denotando que também não consegue desmistificar que seja mais um candidato da esquerda caviar. Apesar disso penso que tem tido a melhor campanha em termos de tempo de antena em televisão;
- Defensor de Moura, é apenas a confirmação de que nunca o PS esteve tão dividido nas presidenciais. Apesar de tudo, louva-se a vontade do homem e não temos dúvida que com toda esta criançada a dirigir os destinos da nação o que nos falta é um pediatra;
- O Francisco Silva, é o típico candidato comunista: amorfo, sensaborão, formatado à moda antiga, um camarada cassete e que não faz mais do que ser ele próprio. Arrisca-se a ser o último classificado na corrida se bem que isso nunca seja lição para o comité;
- O José Coelho, faz a figura esperada, o do candidato que todos acham piada pelo ar cómico e caricato e que mesmo dizendo umas valentes verdades ninguérm leva a sério. Na hora da verdade terá os votos dos familiares, vizinhos e pouco mais;
- Com estes dados e com uma chuvinha miúda a molhar tolos, no mínimo 60% dos portugueses ficarão em casa a esperar pelo resultado do jogo depois do árbitro dar a apitadela de recolha aos balneários.
Com tudo isto, o que é que se pode esperar?
Para quem não conhece e para o tal marciano caso aterre por estes dias, fica aqui a lista da malta porreira que vai a votos:
- Aníbal Cavaco Silva (candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP);
- Fernando Nobre ( candidato independente);
- Defensor Moura (candidato independente);
- Francisco Lopes (candidato apoiado pelo PCP e Partido Ecologista Os Verdes);
- Manuel Alegre (candidato apoiado pelo PS e BE);
- José Manuel Coelho (candidato do PND).
- Rui Santos Sá