Tem sido assim o dia todo desde ontem de manhã cedo. Mas esta situação é apenas um aperitivo, porque a ementa é vasta, toda constituída por caixas de mensagens pouco comestíveis, a exigirem doses maciças de ketchup, mostarda e outras bostas usadas para enganar as nossas pobres papilas gustativas.
Tudo parece residir na aplicação cmd.exe. Consultando o bruxo que faz as poções mágicas cá na empresa, uma espécie de Panoramix, parece que a solução passa por formatar o disco e reinstalar toda a tralha do costume.
No entretanto, o PC parece um asmático à beira da rotura e não há oxigénio que lhe valha. Está pior do que o BPN e não me parece que o Sócrates vá injectar uma dose de milhões para o recompor, o que não é de admirar considerando que a nossa economia baseada na filosofia socratiana se prepara para descer aos alvores dos anos 70, quando ainda reinavam os capitães de Abril e eu ganhava 2000 escudos mensais e a única tecnologia que dispunha era um rádio a pilhas do tamanho de um sabão Clarim.
Mas fazem sentido estes ataques virulentos desta quinzena de Abril: Afinal podem ser um contributo decisivo para a renovação da nossa frota de PCs. A economia é isto: Precisa de abanões, de roturas. Com sorte o Sócrates contrata à JP, uma nova série de PCs "genuinamente" portugas, numa versão mais potente para os adultos, que até poderá chamar-se de Cabral, em homenagem ao descobridor das terras das araras e catatuas. Depois, admita-se, o nome Cabral é mais dado a trocadilhos e assim sempre que aparecer uma destas caixas de mensagens pouco tragáveis logo pela manhã, lá poderemos dizer: Seu cabrão do caralho....
Entretanto, consultando todas as grandes desenvolvedoras de anti-virús, nenhuma parece ter encontrado ainda solução para o sokrates.exe. A empresa supostamente mais preparada para o fazer, a PSDguard, teima em desenvolver apenas desinfectantes, do tipo de ataque a borbulhas e forúnculos, ignorando que o problema já deixou de ser superficial e já anda pelos intestinos do disco duro a fazer das suas, isto é, merda.
Sintomas desta crise profunda.